FMI considera que Grécia é seu cliente menos colaborativo

FMI considera que Grécia é seu cliente menos colaborativo

19 março 2015, 19:00
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Altos funcionários do Fundo Monetário Internacional disseram a seus colegas da zona do euro que a Grécia é o cliente menos colaborativo com que a organização tratou nos seus setenta anos de história, segundo duas fontes do setor.

Em uma breve e mal-humorada teleconferência na terça-feira, altos funcionários do FMI, do Banco Central Europeu e da Comissão Europeia reclamaram que os representantes gregos não estão aderindo a um acordo de prorrogação do resgate definido em fevereiro nem estão cooperando com os credores, disseram as fontes, que solicitaram o anonimato porque a teleconferência foi privada.

Os representantes financeiros da Alemanha disseram que tentar persuadir o governo grego a montar um programa rigoroso de política econômica é uma perda de tempo, disseram as fontes, e a equipe do FMI disse que a atitude da Grécia frente aos credores oficiais é inaceitável. O Ministério das Finanças da Alemanha não deu retorno a vários pedidos de comentários.

Os altos funcionários estão cada vez mais preocupados de que a recalcitrância do governo do primeiro-ministro Alexis Tsipras possa acabar forçando a Grécia a abandonar o euro, já que o país em apuros financeiros se recusa a tomar as medidas necessárias para liberar mais apoio financeiro. Tsipras está depositando suas esperanças para destravar o impasse em uma reunião com o presidente do BCE, Mario Draghi; a chanceler da Alemanha, Angela Merkel; o presidente da França, François Holland, e o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, que ocorrerá nesta semana em Bruxelas.

Cúpula da UE

“São discussões difíceis”, disse Merkel a seu grupo parlamentar, na terça-feira, em relação às negociações com a Grécia, segundo duas fontes. Ela disse que o resultado das discussões está completamente em aberto, segundo as fontes.

O governo grego está tentando um acordo político em uma cúpula da União Europeia que começa na quinta-feira para liberar fundos do pacote de resgate de 240 bilhões de euros (US$ 254 bilhões) do país, disse o porta-voz do governo Gabriel Sakellaridis, em uma entrevista à Skai TV nesta quarta-feira.

“Depois de um mês e meio de contato, acreditamos que para que exista uma solução política, é importante que os grandes países da zona do euro intervenham”, disse Sakellaridis. “Não estamos minimizando as discussões técnicas, mas queremos que haja uma estrutura, e para isso estamos pedindo uma solução política”. Sakellaridis não pôde ser contatado imediatamente para comentar sobre a teleconferência da terça-feira.

Os ministros de Finanças da zona do euro estão instando o governo grego a esboçar um plano para consertar sua economia, para que os contribuintes do bloco não rejeitem a ideia de proporcionar mais apoio. Enquanto Tsipras desafia seus credores para ver quem cede primeiro, seu governo está ficando sem dinheiro, o que aumenta a perspectiva de um aperto financeiro já neste mês. O país deve reembolsar mais de 2 bilhões de euros em dívidas na sexta-feira.

Progresso mínimo

Embora tenham começado as discussões técnicas com a Grécia sobre como implementar no dia 20 de fevereiro um acordo entre os ministros de Finanças da zona do euro para prorrogar o empréstimo da Grécia por quatro meses, por enquanto os progressos têm sido mínimos, segundo fontes do setor. Altos funcionários das instituições que monitoram o resgate disseram na reunião que a Grécia está fazendo com que seu Parlamento aprove medidas com impacto fiscal incerto de modo unilateral e sem consultá-los, disse outra fonte.

Sem mais apoio, o governo grego poderia ficar sem fundos já neste mês porque os pagamentos de dívida vencem na sexta-feira e os salários do governo e as pensões dos aposentados devem ser pagos em 27 de março. A Grécia pretende organizar um leilão de 1 bilhão de euros em notas do Tesouro a 13 semanas nesta quarta-feira. Pode-se utilizar até 60 por cento do somatório leiloado além daquele das ofertas não competitivas e das realizadas no segundo dia.

O Morgan Stanley, o UniCredit e a Fitch Ratings destacaram recentemente os riscos de que a Grécia abandone o euro, mencionando o perigo implicado pela abordagem adotada por Tsipras nas negociações.


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