Draghi: Zona Euro não é uma união política "em que alguns países pagam permanentemente pelos outros"

Draghi: Zona Euro não é uma união política "em que alguns países pagam permanentemente pelos outros"

18 março 2015, 16:45
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Na inauguração da nova sede do BCE, Mario Draghi reconheceu que a unidade europeia está a ser pressionada, com as pessoas a passarem tempos "muito difíceis". O evento ficou marcado por protestos violentos no exterior que resultaram em centenas de polícias feridos e pelo menos 350 manifestantes detidos.

Mario Draghi considerou esta quarta-feira, 18 de Março, que a nova sede do Banco Central Europeu (BCE), em Frankfurt, "é um símbolo do que a Europa pode atingir em conjunto e do porquê de não podermos arriscar a separarmo-nos ". No entanto, o presidente da autoridade monetária reconhece que, actualmente, a unidade europeia está a ser pressionada, com os cidadãos a atravessar tempos muito difíceis.

 "A unidade europeia está a ser pressionada", afirmou Draghi, durante o seu discurso na inauguração da nova morada do BCE. "As pessoas estão a passar por momentos muito difíceis. Alguns, como muitos dos manifestantes que estão ali fora hoje, acreditam que o problema é que a Europa está a fazer muito pouco".

 E acrescentou: "Mas a Zona Euro não é uma união política do tipo em que alguns países pagam permanentemente pelos outros".

 Mario Draghi sublinhou ainda que a nova sede do banco central será conhecida inevitavelmente como "a casa do euro" proporcionando um "fundamento para que o BCE cumpra o seu mandato de estabilidade dos preços" para todos os cidadãos da Zona Euro.

 "O euro, a nossa moeda única, converteu-se no símbolo mais tangível da integração europeia, uma peça da Europa acessível e valiosa para todos nós", acrescentou o responsável, no discurso inaugural.

 Dezenas de polícias feridos e pelos menos 350 manifestantes detidos nos protestos

 Enquanto Mario Draghi discursava, centenas de manifestantes lançavam o caos nas imediações da nova sede do BCE, juntando-se ao protesto convocado pelo grupo anticapitalista "Blockupy".

 Dezenas de polícias ficaram feridos e pelo menos 350 pessoas foram detidas depois de os manifestantes anti-austeridade entrarem em confrontos com as forças de segurança, avança o site de notícias alemão Deutsche Welle.

A polícia usou canhões de água e sprays de gás pimenta para tentar abrir caminho em direcção à nova sede do BCE através da massa de manifestantes vestidos de preto. O novo edifício foi o sítio escolhido para os protestos porque o BCE passou a simbolizar os cortes na despesa e as reformas que estão a ser forçadas na Grécia, segundo relatos recolhidos pelo The Guardian.

Segundo o mesmo jornal, a aliança Blockupy estima que cerca de 10 mil manifestantes tenham aderido aos protestos, incluindo sindicatos e partidos alemães da ala esquerda.  

"O nosso protesto é contra o BCE, como um membro da troika que, apesar de não ser eleito democraticamente, dificulta o trabalho do governo grego. Queremos que a política de austeridade acabe", referiu Ulrich Wilken, um dos organizadores da manifestação, em declarações à Reuters.

Nova sede do BCE ocupa antigo mercado e tem capacidade para 2.900 funcionários

A inauguração da nova sede do BCE teve lugar à hora programada (10 horas de Lisboa), e começou com Mario Draghi a agradecer aos convidados "por estarem presentes apesar da difícil situação lá fora".

"Encontramo-nos no local do antigo mercado de frutas e verduras de Frankfurt, um edifício estatal dos anos 20 do século passado", descreveu o responsável no seu discurso.

A nova sede tem capacidade para 2.900 funcionários, e está localizada em Ostend, na zona este de Frankfurt, ocupando o lugar do "Grossmarkthalle" – um antigo mercado da cidade.

Na cerimónia de inauguração estiveram presentes os actuais membros do Conselho do BCE, assim como o seu antigo presidente, Jean-Claude Trichet, e o anterior vice-presidente, o grego Lucas Papademos.

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