Uísque raro japonês é vendido por US$ 11 mil em leilão da Bonhams

Uísque raro japonês é vendido por US$ 11 mil em leilão da Bonhams

23 agosto 2014, 12:26
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Quando Aaron Chan ouviu que uma loja de bebidas em Atenas poderia ter o raro uísque japonês Hanyu Ichiro Malt, ele telefonou para a loja de Hong Kong. Sem conseguir se fazer entender em inglês, ele enviou e-mails de fotos com os distintos rótulos da destilaria que mostra cartas de baralhos. O dono da loja respondeu com uma foto da garrafa que possuía. Era um Ás de Espadas.

— Aquele foi o meu momento Eureca! — disse Chan, que pagou US$ 774 pela garrafa há dois anos. — O Ás de Espadas já era muito, muito raro.


 

 

 Na semana passada, uma garrafa similar saiu por cerca de US$ 11 mil num leilão da Bonhams, 14 vezes o que Chan pagou e um pouco mais do que o preço de toda uma caixa de Chateau Margaux 1982, vendida num leilão da Sotheby’s em Nova York, sete semanas antes.

Esqueça os vinhos especiais de Bordeaux. Os investidores estão se atropelando para conseguir scotchs de raro malte, como Macallan, Bowmore e Dalmore, além dos raros uísques japoneses Karuizawa e Yamazaki. Os bares especializados no líquido âmbar começam a se espalhar de Manhattan a Cingapura. E os preços estão subindo em ritmo estonteante. A Sotheby’s vendeu uma garrafa de seis litros do single malt Lalique Macallan “M” em janeiro pelo preço recorde de US$ 632 mil.

— Não sou um defensor de que se compre uísque para depois vendê-lo — diz Heather Greene, diretora de educação em uísque no Flatiron Room, em Manhattan, um abrigo para amantes de bedidas, que oferece degustações preparadas por connoisseurs em ascensão — Mas as pessoas andam me perguntando se deveriam comprar um par de caixas e vendê-las pelo dobro.

 

SUPERANDO AS AÇÕES

Dobro? Que tal o quíntuplo? De acordo com o índice Grade Scotch, publicado pelo Whisky Highland, em Tain, na Escócia, os 100 principais maltes geraram uma média de lucro de 440% desde o início de 2008 até o fim de julho deste ano. Esse avanço se compara ao ganho de 31% das ações negociadas pelo índice S&P 500 e a uma queda de 2% em relação ao índice Fine Wine.


O aumento dos preços é uma boa notícia para Mahesh Patel, um incorporador imobiliário de 47 anos em Atlanta, que reuniu uma coleção de mais de cinco mil garrafas nos últimos 25 anos.

— Tudo o que possuo está se valorizando — diz Patel, cuja coleção possui uma apólice de seguro avaliada em US$ 6 milhões. — Sou um crente na prática de sempre comprar duas coisas de tudo. Uma para degustar e a outra para guardar, se for rara.

Uma exceção de sua regra de duas garrafas é um Dalmore Trinitas de 64 anos, que ele comprou em 2010 por cem mil libras (US$ 166.455). Só três garrafas foram produzidas.



 BARALHO COMPLETO

À proporção que o valor do destilado de malte sobe, a tentação de manter as garrafas como investimento também cresce.

— Os preços atuais me fazem hesitar sobre beber tão livremente como fazia há dois ou três anos — diz Chan, cuja coleção de 500 garrafas inclui todas as 54 cartas do baralho do Hanyu (inclusive dois coringas).

Uma das razões para o salto dos preços reside no fato de que as destilarias não conseguem acompanhar o aumento da demanda rápido o suficiente, uma vez que o uísque demora para envelhecer. Mesmo um Glenfiddich padrão duty-free passa 12 anos no barril, e os scotches com grau de investimento levam muito mais. O Macallan de 1962 que o vilão Raoul Silva ofereceu ao James Bond no filme “007 — Operação Skyfall” envelheceu por meia década.

Uísque, cujo termo evoca uma frase irlandesa “água da vida”, é feio a partir de uma mistura de grãos fermentados, levedura e água, que é destilada e em seguida envelhecido em barris de carvalho. Um uísque padrão single malt é produzido a partir de cevada maltada em destilaria.

À medida que o barril envelhece, parte da bebida evapora, uma perda chamada “a dose do anjo”. Um barril de 50 anos pode perder até 60% de seu conteúdo.


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