BC diz que avanços no combate à inflação ainda não são suficientes

BC diz que avanços no combate à inflação ainda não são suficientes

29 janeiro 2015, 17:57
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A diretoria colegiada do Banco Central mudou completamente o parágrafo 31 do final da ata divulgada na manhã de hoje. O Comitê de Política Monetária (Copom) deu ênfase à avaliação de que o cenário de convergência da inflação para 4,5% em 2016 tem se fortalecido. Para o Comitê, contudo, os avanços alcançados no combate à inflação - a exemplo de sinais benignos vindos de indicadores de expectativas de médio e longo prazo - ainda não se mostram suficientes.

Ao expor essa análise, o Copom descartou totalmente o trecho do documento anterior, que trazia: "O Copom destaca que, em momentos como o atual, a política monetária deve se manter especialmente vigilante, de modo a minimizar riscos de que níveis elevados de inflação, como o observado nos últimos doze meses, persistam no horizonte relevante para a política monetária. Entretanto, considerando os efeitos cumulativos e defasados da política monetária, entre outros fatores, o Comitê avalia que o esforço adicional de política monetária tende a ser implementado com parcimônia".

Vale lembrar que a expressão "parcimônia", utilizada no comunicado da decisão sobre a Selic de dezembro, quando o Copom aumentou a taxa de 11,25% ao ano para 11,75% gerou muita polêmica entre os analistas do mercado financeiro. A palavra já não constava mais do Relatório Trimestral de Inflação do fim de 2014, primeiro documento oficial do BC que se seguiu a esse aumento maior da taxa básica de juros.

Já a expressão "especialmente vigilante" também foi retirada desse trecho do documento. Permaneceu, porém, no fim do parágrafo 20: "Embora reconheça que outras ações de política macroeconômica podem influenciar a trajetória dos preços, o Copom reafirma sua visão de que cabe especificamente à política monetária manter-se especialmente vigilante, para garantir que pressões detectadas em horizontes mais curtos não se propaguem para horizontes mais longos".

O BC manteve a avaliação de que o ajuste de preços relativos tornou o risco de inflação menos favorável. A instituição, no documento, voltou a explicar que o fato de a inflação atualmente se encontrar em patamares elevados reflete, em parte, a ocorrência de dois importantes processos de ajustes de preços relativos na economia: realinhamento dos preços domésticos em relação aos internacionais e realinhamento dos preços administrados em relação aos livres.

A instituição ainda manteve o cenário em que não descarta a ocorrência de elevação da inflação no curto prazo e que a inflação tende a permanecer elevada em 2015, porém, ainda este ano entra em longo período de declínio. Diante desse quadro, o BC repetiu que reconhece que esses ajustes de preços relativos têm impactos diretos sobre a inflação, mas reafirmou "sua visão de que a política monetária pode e deve conter os efeitos de segunda ordem deles decorrentes".

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