BC eleva taxa básica de juros pela sexta vez consecutiva, para 13,75%

BC eleva taxa básica de juros pela sexta vez consecutiva, para 13,75%

4 junho 2015, 21:37
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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu elevar a taxa básica de juros do país em meio ponto percentual, para 13,75%, como medida para conter a inflação. É o sexto aumento consecutivo, e ao longo do ano devem ocorrer mais elevações, segundo apontou economista consultado pelo Jornal do Brasil.

O professor de Economia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) Rodrigo Carlos Marques Pereira acredita que "até o fim de 2015 continuem ocorrendo aumentos gradativos da taxa Selic, e que o Banco Central só volte a aprovar uma diminuição da taxa no ano que vem, com uma inflação mais estabilizada". 

Pereira projeta que até o fim do ano a Selic chegue à casa dos 14% mas que não deveria passar dos 15%, para que não "comprometa a atividade econômica". O especialista destaca que taxas muito altas podem surtir um efeito inverso e causar reflexo na captação de dinheiro pelas empresas. 

A elevação da Selic está alinhada às expectativas do mercado financeiro e já era aguardada. O Copom retomou o ciclo de elevações da Selic em outubro do ano passado. Desde então, a taxa, que estava em 11% ao ano, acumula alta de 2,75 ponto percentual. 

Questionado a respeito da duração da crise econômica, Pereira acredita que podemos sentir "resquícios do atual cenário" para o ano de 2016", mas a situação já deve ser melhor do que a enfrentada atualmente. 

No último aumento, efetuado em 29 de abril, o Jornal do Brasil conversou com o professor de Finanças Públicas da USP, Adriano Henrique Rebelo Biava, que chamou a atenção para a efetividade dos sucessivos aumentos. À época, ele destacou que "em uma economia que está precisando crescer, o aumento da Selic tem como consequências diretas a redução de investimentos e o aumento da dificuldade que o governo enfrenta para pagar suas dívidas". 

Biava também comentou que medidas como um trabalho de fomento da produção nacional deveriam ser adotadas pelo governo, principalmente nos setores de produção de remédios e transportes públicos, para diminuir os efeitos negativos que a alta inflação tem sobre as populações de baixa renda. "A expectativa de aumento da taxa é criada pelo mercado financeiro. Um estudo sobre os impactos desse aumento deveria ser conduzido de forma cautelosa".

*Do programa de estágio do JB


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