BC mantém juro em 14,25% e estima inflação no centro da meta só em 2017

BC mantém juro em 14,25% e estima inflação no centro da meta só em 2017

22 outubro 2015, 09:00
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Na noite de quarta-feira (21), o Copom (Comitê de Política Monetária) não mexeu na taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, que ficou em 14,25%. O importante no que o Banco Central fez foi a não-menção ao retorno da inflação ao centro da meta do ano que vem. Por exclusão, ele pensa que a inflação só chega no centro da meta em 2017.

Os preços subiram e a inflação já chegou a 9,5% no acumulado em 12 meses. Mesmo assim, o Banco Central decidiu manter os juros em 14,25% ao ano.

Para o economista Simão Silber, subir a Selic seria ruim. "Aumenta a recessão, piora a receita do governo e aumenta a despesa de juros. Portanto, a receita menos indicada seria dar um tiro no pé, seria aumentar a taxa de juros", aponta o economista da FEA/USP.

Com as receitas em queda e as despesas diminuído muito menos do que o necessário, o governo deve revisar a previsão das contas de 2015. O anúncio sai até o dia 23 de outubro.

"Há uma perspectiva de frustração de receita que pode gerar a necessidade da gente revisar o cenário vigente no último relatório. Nossa direção continua sendo a mesma, de recuperar a capacidade fiscal do governo, recuperar a capacidade de produzir resultados primários em um nível suficiente para estabilizar a divida pública do governo federal", declara Nelson Barbosa, ministro do Planejamento.

As contas do governo dificilmente vão fechar esse ano contando só com as receitas. É como se o salário não desse pra cobrir as despesas da casa e a gente tivesse que entrar no cheque especial.

No caso do governo, isso quer dizer, aumentar o endividamento com novos títulos, o que não é nada bom, principalmente quando os juros estão tão altos.

Nos últimos 12 meses, o governo gastou cerca de R$ 484 bilhões só com os juros da dívida, o equivalente a mais de 8% do PIB.

"É caro, bem caro. 8% do PIB só na conta de juros é um negócio que não é trivial. Na comparação internacional por exemplo, são raros os países que tem uma carga de juros tão alta como essa", diz Celso Toledo, economista da LCA Consultores.

A votação das contas do governo de 2014, que foram rejeitadas pelo Tribunal de Contas da União, só deve acontecer no ano que vem.

O presidente do Senado, Renan Calheiros, deu prazo de até 45 dias para o governo apresentar uma defesa. Só depois é que a documentação vai ser encaminhada à Comissão Mista de Orçamento, pra primeira votação e, em seguida, é que as contas vão ser votada no plenário.

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