A armadilha de setembro para o EUR/USD: quem realmente controla o par?

A armadilha de setembro para o EUR/USD: quem realmente controla o par?

7 setembro 2026, 09:10
Sergey Ershov
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A Fed e o BCE entram no outono com discurso mais rígido, mas o destino do EUR/USD dependerá menos das taxas em si e mais da diferença entre as decisões reais e aquilo que o mercado já espera.

À primeira vista, parece simples: o BCE provavelmente elevará os juros em 10 de setembro, e a Fed decidirá em 15-16 de setembro. Mas o mercado cambial negocia não apenas as decisões, e sim a diferença entre elas e o que já está precificado.

Primeira pista – NFP.

A economia dos EUA criou 162,000 empregos em agosto, contra cerca de 56,000 esperados. Julho foi revisado de -23,000 para +21,000, enquanto o desemprego permaneceu em 4.1%. A reação inicial foi hawkish: a probabilidade de alta dos juros da Fed em setembro passou de 55% para 65%, o rendimento dos Treasuries de 2 anos subiu para perto de 4.41%, o de 10 anos para 4.80%, e o EUR/USD caiu para 1.1585.

Mas depois o crescimento dos salários veio mais fraco do que o esperado. A probabilidade de alta voltou para cerca de 57%, o dólar e os rendimentos devolveram parte do movimento inicial, e o EUR/USD retornou acima de 1.1600, chegou a 1.1625 e se estabilizou perto de 1.1610.

Essa segunda reação foi mais importante. O NFP forte confirmou a resistência do mercado de trabalho, mas não resolveu a questão da alta em setembro. Christopher Waller também havia indicado um dia antes que os juros poderiam permanecer inalterados. Agora, a principal peça que falta é a inflação dos EUA.

Segunda pista – o BCE quase não deixou espaço para surpresa.

A inflação da zona do euro acelerou para 3.3% em agosto, acima da meta de 2%. A Reuters entrevistou 65 economistas, e todos os 65 esperam uma alta de 25 pb em 10 de setembro, de 2.25% para 2.50%.

Mas, se isso já está precificado, a alta pode não ajudar o euro. A maioria dos economistas considera que será a última alta do ciclo e espera a taxa em 2.50% pelo menos até meados de 2027. O crescimento da zona do euro em 2026 é projetado em apenas 0.8%. O BCE pode elevar os juros e, ao mesmo tempo, explicar por que não pretende continuar aumentando-os. Para o euro, seria o clássico “compre o rumor, venda o fato”.

Principal insight

O EUR/USD está negociando erros de expectativas, não apenas taxas. Se o BCE elevar para 2.50% e Lagarde indicar que o ciclo terminou, o euro pode enfraquecer. Na Fed, a situação é oposta: uma alta em setembro está apenas parcialmente precificada. Uma inflação americana mais forte pode elevar a probabilidade de 57% para 80-90% e dar ao dólar um impulso maior do que uma alta já esperada do BCE daria ao euro. Essa é a armadilha de setembro.

Terceira pista – o petróleo.

O Brent passou de $97 por barril, enquanto as tensões em torno do Irã e do Estreito de Ormuz aumentaram os riscos inflacionários. Para o BCE, petróleo caro eleva a inflação, mas também reduz a renda real e o crescimento. Os EUA também enfrentam inflação energética, mas o NFP forte mostrou que o mercado de trabalho americano está resistindo melhor. O mesmo choque do petróleo pode ser hawkish para ambos os bancos centrais, mas fundamentalmente mais perigoso para o euro.

Três cenários:

Altista: o BCE eleva os juros e deixa a porta aberta para mais aperto, enquanto a inflação dos EUA permite uma pausa da Fed – EUR/USD pode testar 1.18-1.20.

Base: o BCE sobe para 2.50%, mas indica que não prevê novas altas por enquanto, enquanto a Fed mantém a incerteza – faixa de 1.15-1.18.

Baixista: o BCE praticamente encerra o ciclo, enquanto uma inflação forte nos EUA torna a alta da Fed quase inevitável – primeiro 1.15, depois 1.12-1.13.

A principal questão de setembro não é quem vai subir os juros, mas quem vai surpreender mais o mercado. O BCE quase mostrou suas cartas. A Fed ainda não.



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