BPI: Crescimento comprometido na Zona Euro

BPI: Crescimento comprometido na Zona Euro

19 agosto 2014, 15:45
Alejandromarcos
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A primeira estimativa para o comportamento do PIB da zona euro no segundo trimestre aponta para crescimento nulo face ao trimestre anterior, reflexo de desempenhos desfavoráveis nas suas principais economias - Alemanha, França e Itália. Por seu turno, as economias ibéricas apresentaram bons desempenhos, observando-se a aceleração do ritmo de crescimento espanhol e português, em linha com o esperado.

O crescimento das três maiores economias do euro desapontou no segundo trimestre do ano, observando-se uma queda em cadeia do produto na Alemanha e Itália e a estagnação em França, em grande parte associados a contributos mais reduzidos da procura externa.

O PIB alemão contraiu 0.2% em cadeia, reflectindo para além do desempenho mais fraco das exportações, o abrandamento do investimento. Paralelamente, França estagnou e Itália registou uma contracção de 0.2% face ao primeiro trimestre do ano.

O comportamento da actividade económica no primeiro semestre do ano e os riscos existentes sugerem que o crescimento da zona euro poderá voltar a ficar além do esperado no conjunto do ano. De facto, alguns indicadores relativos já ao terceiro trimestre do ano, indicam que comportamentos menos fulgurantes. Destes, destaca-se o indicador ZEW para a economia alemã - indicador que reflecte o sentimento de investidores institucionais e analistas financeiros - que em Agosto registou uma queda de 18.5 pontos, fixando-se em 8.6 pontos, abaixo da média de longo prazo (24.6 pontos).

Esta evolução reflecte os receios associados aos riscos geopolíticos existentes, nomeadamente para a questão ucraniana, que terá já afectado o comportamento das exportações alemãs e, consequentemente o investimento. Comportamento idêntico teve o mesmo indicador para o conjunto da zona euro.

Nos próximos meses a não resolução do conflito Ucrânia/Rússia e o impacto dos embargos comerciais nas trocas comercias entre a Rússia e os países da União Europeia continuará a pesar na actividade das economias europeias, retirando ímpeto ao crescimento.

A este factor geopolítico acresce o risco associado aos avanços e tomada de posições estratégicas pelo denominado estado islâmico no Iraque que, do ponto de vista económico, se poderá traduzir no aumento do custo dos bens energéticos.

Para o acompanhamento das perspectivas de crescimento da economia do euro será interessante acompanhar durante esta semana a publicação dos indicadores PMI preliminares relativos a Agosto. Em Julho, tanto o indicador que avalia actividade no sector das manufacturas como o compósito que incluem também a avaliação da actividade no sector dos serviços evoluíram de forma favorável em praticamente todas as economias, com excepção da francesa, onde o indicador teima em permanecer em terreno indicativo de quebra da actividade.

Por seu turno, as economias ibéricas registaram desempenhos positivos no segundo trimestre do ano. Depois da divulgação, no final de Julho de que Espanha cresceu 0.6% em cadeia naquele período, o INE português divulgou que a economia portuguesa avançou 0.6% em cadeia no mesmo período, anulando a queda observada nos primeiros três meses do ano.

Este comportamento, que reflecte um contributo menos desfavorável da procura externa, reforça a perspectiva de que o sector exportador é o principal motor de crescimento da economia.

De facto, a nota do INE refere um aumento das exportações de bens e serviços. Este facto é de salientar, tendo presente que durante o segundo trimestre a produção da GALP e as exportações de combustíveis continuaram afectadas pela interrupção da refinaria de Sines.

Apesar dos riscos existentes, antecipamos que os próximos trimestres serão marcados por evoluções positivas do produto, assentes essencialmente num melhor desempenho do sector exportador. No cômputo do ano, antecipamos um crescimento de 1%.

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