BOLSA PERDEU 2.000 MILHÕES DESDE O RESGATE AO BES

BOLSA PERDEU 2.000 MILHÕES DESDE O RESGATE AO BES

12 agosto 2014, 12:59
Acaematias
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Títulos do BCP e da Portugal Telecom entre os mais penalizados pela fuga de investidores.

Desde que o Banco de Portugal resgatou o BES - numa fórmula que pode impor perdas totais aos accionistas do velho BES e obriga à contribuição dos bancos nacionais para o fundo que viabiliza o Novo Banco –, a fuga dos investidores do mercado nacional já impôs perdas de mais de dois mil milhões de euros às acções do PSI 20.

Líder nas perdas entre as principais europeias, o índice nacional fechou hoje a segunda sessão consecutiva em terreno negativo, a negociar em mínimos de mais de um ano e com todos os títulos a desvalorizar.

Hoje, o banco liderado por Nuno Amado foi mesmo um dos que mais caiu – afundou 15,07% numa das suas piores sessões, valendo agora 8,7 cêntimos por cada título – numa sessão marcada, segundo os analistas, pela reacção negativa dos investidores à solução encontrada pelo regulador do sector financeiro para salvar o BES. A possibilidade de perdas totais para os accionistas do antigo BES – como começa por acontecer com a saída anunciada dos títulos do banco do PSI 20 na próxima segunda-feira a valerem zero cêntimos – está a repelir muitos investidores, em particular os de maior porte.

O Crédit Agricole já disse ontem que não volta", referiu ao Económico José Rocha, gestor da XTB, numa referência ao antigo parceiro histórico da família Espírito Santo no seio do BES, que ontem admitiu vir a processar os antigos administradores do BES por terem enganado o terceiro maior banco francês.

A reacção adversa está também relacionada com outra das características do resgate: eventuais prejuízos da venda do Novo Banco, a metade saudável do ex-BES, terão de ser suportados pelo sector bancário português.

A turbulência empresarial dos últimos dias levou mesmo o ministro da Economia, António Pires de Lima, a classificar esta quarta-feira como “inexplicáveis” os acontecimentos em concreto no BES e na Portugal Telecom (com a subscrição papel comercial da Rioforte que não foi reembolsado pela empresa, uma das empresas do universo Espírito Santo agora sujeita a gestão controlada no Luxemburgo).

"Espero que, no final, este sentimento positivo relativamente a Portugal e à economia portuguesa acabe por prevalecer relativamente ao epílogo destes casos que marcaram a vida económica e financeira de Portugal no último mês", disse o governante à Lusa.

Com todas as principais praças a fechar no vermelho, Milão evidenciou-se entre as maiores perdas, depois de a evolução do PIB do segundo trimestre da terceira maior economia do euro ter ditado um regresso de Roma à recessão. Os números da produção industrial na Alemanha – que caiu 3,2% em Junho muito por causa da fricção Rússia/Ucrânia – não melhoraram o cenário.

Indicadores inconsistentes sobre a recuperação do bloco da moeda única que chegam na véspera de mais uma reunião do Banco Central Europeu, a segunda depois de Mario Draghi ter esgotado mais uma ronda de munições para tentar reanimar a economia.

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