FMI alerta para perigo de estagnação na zona euro associado à baixa inflação

FMI alerta para perigo de estagnação na zona euro associado à baixa inflação

18 setembro 2014, 14:28
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O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou nesta quarta-feira para o perigo de estagnação associado à baixa inflação nas economias da zona euro e no Japão no médio prazo, considerando que esse é um risco que "não pode ser descartado".

Num relatório preparado a propósito da reunião de ministros das Finanças e governadores dos bancos centrais das 20 principais economias mundiais (G20), que decorre no fim de semana, na Austrália, técnicos do FMI alertam para "novos riscos de deterioração" que podem ter impacto no crescimento económico mundial: a baixa inflação e as tensões geopolíticas.

Os autores do relatório sublinham que "os riscos da baixa inflação permanecem relevantes" na zona euro e no Japão, admitindo que "podem mesmo prejudicar a recuperação económica e aumentar os encargos da dívida" desses países.

"No médio prazo, o risco de estagnação secular (um período prolongado de crescimento reduzido e fraca procura) nas maiores economias, especialmente na zona euro e no Japão, não pode ser descartado", alertam.

Por outro lado, os responsáveis do FMI avisam que as tensões entre a Ucrânia e a Rússia "são um obstáculo ao crescimento económico na região" e que podem ter repercussões "noutras zonas do mundo", ao criar receios nos mercados financeiros globais e diminuir a confiança empresarial.

Ao mesmo tempo, os conflitos no Médio Oriente podem levar "a uma disrupção na produção de petróleo e a um aumento acentuado nos preços, com repercussões negativas na economia global", admitem.

Ainda assim, o relatório mantém a previsão de uma recuperação económica, mas a um "ritmo moderado e desigual" e deixa alertas para outros riscos que podem prejudicar a meta do crescimento mundial: "um crescimento mais lento nas economias emergentes e o desafio da normalização das políticas monetárias nos Estados Unidos, nomeadamente perante a possibilidade de instabilidade financeira devido a correcções abruptas no mercado".

Já a presidente da Reserva Federal (Fed) dos EUA, Janet Yellen, defendeu que a economia europeia continua a ser um perigo para o resto do mundo, devido ao seu crescimento extremamente vagaroso e baixa inflação. "Este é um dos vários riscos da economia mundial e esperamos que [os dirigentes europeus] consigam fazer subir o ritmo de crescimento e a inflação", disse Yellen, em conferência de imprensa, depois de terminar uma reunião de dois dias do comité de política monetária da Fed.

A instituição liderada por Christine Lagarde estima, segundo a actualização do World Economic Outlook divulgada em Julho, que o crescimento económico global se fixe nos 3,4%, abaixo dos 3,7% estimados em Abril.

Os autores do relatório que antecipa a reunião dos líderes financeiros do G20 referem que as prioridades de política devem ser apoiar a procura e controlar os riscos que se colocam à evolução da economia.

Para os investigadores, o Banco Central Europeu (BCE) deve continuar "a apelar aos bancos para serem pró-ativos e aumentarem o capital antes da conclusão da avaliação da qualidade dos activos e dos testes de stress [resistência] associados".

Além disso, consideram que é essencial assegurar a conclusão da reforma da regulação financeira e a utilização em primeira instância de mecanismos macroprudenciais (cujo objectivo é evitar riscos que contaminem) para limitar os riscos financeiros.

Quanto à consolidação orçamental, os autores defendem que esta deve continuar de forma gradual e ancorada em planos de médio prazo credíveis, "que estão a faltar em alguns países (sobretudo no Japão e nos Estados Unidos)".

Para os autores do documento, "um desafio para todos é reforçar o potencial de crescimento" e, para isso, as reformas estruturais vão ser críticas. O objectivo do G20 é aumentar o Produto Interno Bruto em pelo menos 2% em relação ao cenário base do WEO de Outubro de 2013 nos próximos cinco anos.

Em Outubro do ano passado, o FMI previa que a economia mundial crescesse 3,6% em 2014, que os países emergentes crescessem 5,1% e que as economias desenvolvidas aumentassem 2% este ano.

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