Dúvidas sobre OAS derrubam bônus

Dúvidas sobre OAS derrubam bônus

13 janeiro 2015, 18:00
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A possibilidade crescente de a OAS buscar um processo de recuperação judicial tornou-se um fator adicional de pressão sobre os títulos de dívida emitidos pela companhia no exterior. Os títulos perpétuos da companhia chegaram a ser cotados ontem a apenas 7% do valor de face.

No fim do dia, tanto os bônus perpétuos quanto os títulos com vencimento em 2019 e 2021 eram negociados entre 17% e 18% do valor de face.

Alguns analistas já discutem os rumos e a própria capacidade de recuperação do grupo. Em relatório a clientes, obtido pelo Valor, a gestora Oppenheimer traçou um cenário-base e um cenário no qual prevê a liquidação da companhia.

Em 2 de janeiro, a OAS deixou de pagar US$ 16 milhões em juros a detentores de bônus da companhia. Porém, três dias mais tarde, tornou-se oficialmente inadimplente ao deixar de honrar o pagamento de cerca de R$ 100 milhões em debêntures que já haviam tido o vencimento antecipado. A empresa argumentou que o calote tinha o objetivo de preservar caixa enquanto busca uma reestruturação ampla de suas dívidas.

Segundo a agência de notícias "Bloomberg", a OAS negocia um empréstimo de até R$ 2 bilhões para aliviar sua situação enquanto tenta vender ativos.

Nas contas da Oppenheimer, a participação na Invepar e outros ativos poderiam valer R$ 7,3 bilhões - sendo R$ 3,4 bilhões referentes à sua participação na Invepar e o restante referente à OAS Óleo e Gás e à OAS Empreendimentos, além de outras participações. Com exceção da Invepar, sobre os demais ativos foi aplicado um desconto de 40%.

A gestora também estimou em R$ 2 bilhões o valor de uma possível multa aplicável à OAS por conta das investigações sobre a participação da empresa em um esquema de corrupção.

Para os analistas da Oppenheimer, apesar das dificuldades, há espaço para os bônus da OAS voltarem a ser negociados em patamar mais elevados por causa do valor dos ativos do grupo. Considerando a hipótese de que o grupo siga em atividade, a estimativa é que os bônus voltem a um intervalo de 25% a pouco mais de 30% do valor de face. Em caso de liquidação da companhia, os investidores poderiam obter entre 15% e pouco mais de 20% pelos títulos, prevê a gestora.

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