UE se reúne para avaliar novas sanções contra Rússia por crise ucraniana

UE se reúne para avaliar novas sanções contra Rússia por crise ucraniana

1 setembro 2014, 11:37
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Os líderes da União Europeia (UE) se reúnem neste sábado em uma cúpula em Bruxelas para avaliar novas sanções contra a Rússia, convocada a parar com suas "ações militares ilegais" na Ucrânia, que ameaçam atingir um "caminho sem volta".

"Estamos em uma situação muito dramática", declarou o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, depois de se reunir com o presidente ucraniano, Petro Poroshenko. "Poderemos estar em uma situação na qual entraremos em um caminho sem volta se a escalada na Ucrânia prosseguir", acrescentou.

O encontro ocorreu algumas horas antes de uma cúpula europeia extraordinária e num momento em que se multiplicam as informações sobre incursões de tropas regulares das Forças Armadas russas na Ucrânia.

Interrogado sobre eventuais sanções adicionais contra a Rússia por parte da UE, Barroso disse esperar que os chefes de Estado e de governo da UE "estejam prontos para tomar novas medidas" e afirmou que a Comissão "já preparou opções". Na sexta-feira já havia declarado ao presidente russo, Vladimir Putin, em uma conversa por telefone que qualquer nova desestabilização na Ucrânia terá um custo elevado para a Rússia.

Em Paris, onde os chefes de governo socialistas da UE se reuniram na manhã deste sábado, o presidente francês, François Hollande, indicou que as sanções contra a Rússia sem dúvida irão aumentar.

"A agressão da Rússia não ficará sem uma resposta da UE", afirmou, por sua vez, Porosheko, que deve informar durante a tarde aos líderes europeus a situação em terra no leste da Ucrânia.

Kiev havia pedido nesta semana às potências ocidentais uma ajuda militar. Neste sábado Poroshenko se referiu apenas a um apoio técnico sob a forma de uma troca de informações.

O líder separatista Alexei Mozgovoi afirmou neste sábado que os insurgentes controlam cerca de 50% do território das regiões de Donetsk e Lugansk.

Já o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, condenou o que definiu como o "desprezo permanente da Rússia as suas obrigações internacionais".

A Europa Oriental, região ainda mais receosa das ações de Moscou, foi mais longe: o presidente romeno, Traian Basescu, pediu à Otan e à UE que entreguem armas às autoridades de Kiev, e o chefe da diplomacia polonesa, Radoslaw Sikorski, classificou de guerra o conflito na Ucrânia.

Paralelamente, os europeus preveem nomear o sucessor do presidente do Conselho Europeu, o belga Herman Van Rompuy. O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, é o grande favorito, e sua designação forneceria mais peso à Polônia, que apoia abertamente a Ucrânia contra Moscou.

A ministra das Relações Exteriores italiana, Federica Mogherini, acusada pelos países da Europa Oriental de ser condescendente em relação a Moscou, deverá ser nomeada como chefe da diplomacia europeia, substituindo a britânica Catherine Ashton.

Em terra, os rebeldes pró-russos afirmaram estar prestes a cercar o porto estratégico de Mariupol, de 460.000 habitantes, 100 km ao sul de seu reduto de Donetsk.

Em Donetsk, não ocorreram bombardeios ou confrontos durante a noite. Os disparos de artilharia foram retomados durante a manhã em vários bairros da cidade, anunciaram as autoridades locais.

O ministro ucraniano do Interior, Arsen Avakov, declarou que parte dos soldados cercados pelos insurgentes na localidade de Komsomolsk haviam saído do cerco, sem fornecer mais detalhes.

Em Ilovaisk, onde centenas de soldados estão cercados há mais de uma semana, o comandante de um batalhão de voluntários que lutam junto ao exército ucraniano, Semen Sementchenko, afirmou que um corredor havia sido negociado para permitir sua saída com a condição de deixar as armas pesadas aos insurgentes.

"Em alguns dias todos os soldados capturados e feridos serão trocados por paraquedistas russos em Kharkiv", território leal a Kiev, escreveu Sementchenko no Facebook. As autoridades ucranianas ainda não confirmaram estas informações.

Uma dezena de paraquedistas russos foram capturados no início da semana em território ucraniano, para onde se dirigiram acidentalmente, segundo Moscou.

Segundo um relatório da ONU publicado na sexta-feira, 2.593 pessoas já morreram desde meados de abril neste conflito.

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