Preço baixo do petróleo pode criar ciclo vicioso na economia dos EUA

Preço baixo do petróleo pode criar ciclo vicioso na economia dos EUA

8 fevereiro 2016, 17:12
Thalya Braga Manilha
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A gasolina barata foi uma bênção para os americanos, que, como consequência, economizaram cerca de US$ 140 bilhões no ano passado, quase o dobro das economias obtidas em 2014. O preço do galão está abaixo de US$ 2 nos EUA.

Com o petróleo em torno de US$ 30 o barril no mercado internacional e a gasolina abaixo de US$ 0,50 por litro nos Estados Unidos, o benefício dos preços baixos dos combustíveis está se transformando em uma dor de cabeça para grande parte da economia americana.

O problema não são apenas as demissões e os cortes de investimentos no setor petrolífero, dois efeitos que têm sido aguardados desde que o preço da commodity começou a cair, em 2014. Preocupações com pedidos de recuperação judicial de empresas de petróleo e casos de inadimplência no pagamento de empréstimos também estão colaborando para restringir as condições financeiras, pesando sobre grande parte da economia.

Poucos economistas esperam que o colapso do petróleo leve a economia americana para a recessão. Mas pode ficar mais difícil de conter a crise se as quedas nos preços de petróleo forem um sintoma de um enfraquecimento mais amplo da economia global, incluindo uma demanda fraca e um excesso de oferta de matérias-primas, capacidade produtiva e mão de obra.

O petróleo barato reflete um fortalecimento do dólar, que já tem prejudicado as exportações americanas. E o sentimento do consumidor pode ser afetado se a queda no preço das ações que ocorreu no início do ano continuar.

Resultado: mesmo que a gasolina barata seja benéfica para os consumidores, as forças por trás dela podem ser mais corrosivas do que o imaginado inicialmente. A queda do petróleo no último mês “foi menos um sinal de que as coisas vão ficar bem melhores e mais um sinal de que as coisas correm o risco de se tornar muito pior”, diz Stephen King, economista sênior do HSBC.

Na sexta-feira, o preço do barril do Brent, referência mundial, caiu 1,2%, para US$ 34,06 na ICE Futures Europe. Na semana, o Brent recuou 5,4%.

Normalmente, os mercados tratam preços elevados de petróleo como aumento de impostos e preços menores como redução de impostos. De fato, a gasolina barata foi uma bênção para os americanos, que, como consequência, economizaram cerca de US$ 140 bilhões no ano passado, quase o dobro das economias obtidas em 2014. Os preços médios da gasolina estavam em US$ 0,48 o litro na semana passada, ante US$ 0,97 em junho de 2014.

E a queda no preço do combustível no ano passado contribuiu com cerca de 0,5 ponto percentual para o crescimento do consumo, segundo Jason Thomas, diretor de pesquisa da firma de private equity Carlyle Group.

Mas o impulso geral foi menor que o esperado, sugerindo que níveis elevados de dívida das famílias combinados com o aumento dos custos de habitação, assistência médica e educação estão afastando os americanos das compras de itens mais caros.

Para alguns economistas, os temores de recessão não se justificam. O mercado de trabalho continua a criar empregos, o saldo das famílias está melhorando e o mercado imobiliário está estável. O aumento nos quilômetros percorridos nos EUA nos últimos 12 meses é o maior desde 1997.

Segundo David Rosenberg, economista-chefe da firma de gestão de recursos Gluskin Sheff & Associates, as chances de uma recessão ocorrer nos EUA em 2017 “são próximas a zero”

Um aumento — e não uma queda — nos preços do petróleo precedeu ou acompanhou cada recessão que ocorreu desde a década de 70. “Esta é a primeira vez que eu ouço economistas falarem que os preços baixos do petróleo desencadearão uma recessão nos EUA”, diz Rosenberg.

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