Ibovespa cai com bancos, enquanto espera balanço da Petrobras

Ibovespa cai com bancos, enquanto espera balanço da Petrobras

21 abril 2015, 17:56
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A Bovespa não conseguiu acompanhar a melhora do humor nos mercados internacionais e terminou a sessão desta segunda-feira, 20, que antecede o feriado de Tiradentes no território negativo. Se durante a manhã o exercício de opções sobre ações conferiu ânimo aos negócios e deu impulso às ações de Petrobras e Vale, na segunda parte do pregão o comportamento do mercado acionário doméstico foi oposto, com giro fraco e o Ibovespa em baixa.

A pressão adicional na parte da tarde veio dos papéis dos bancos, penalizados pela piora das perspectivas para o setor e para a economia brasileira em um contexto de ajuste fiscal. Por outro lado, as ações de Vale e das siderúrgicas pegaram embalo nas medidas de estímulo anunciadas na China no fim de semana e passaram a maior parte do dia em alta. Petrobras, por sua vez, foi beneficiada pelo exercício de opções e pelo anúncio de um financiamento da ordem de R$ 18,7 bilhões, o que, segundo a estatal, garante os recursos necessários para a operação em 2015. Agora a expectativa dos investidores recai sobre o balanço auditado da estatal, que será divulgado na quarta-feira, 22. Na avaliação do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que participa de eventos em Nova York, a publicação desses números "marcará mais um passo na reconstrução da Petrobras".

O Ibovespa terminou o dia em baixa de 0,36%, aos 53.761,27 pontos. Na máxima, marcou 54.385 pontos (+0,80%) e na mínima, 53.510 pontos (-0,82%). No mês, acumula ganho de 5,11% e, em 2015, valorização de 7,51%. O giro financeiro totalizou R$ 8,56 bilhões, sendo R$ 3,31 bilhões referentes ao exercício de opções sobre ações.

A queda do índice à vista foi conduzida principalmente pelo setor financeiro. Itaú Unibanco PN, principal ação do Ibovespa, terminou em baixa de 1,67%, seguido por Bradesco PN (-0,68%), Banco do Brasil ON (-0,49%) e units do Sandander (1,28%). Sobre o setor, depois de revisar para negativa a perspectiva do rating de seis bancos médios brasileiros, a agência de classificação de risco Standard & Poor's alertou hoje que as medidas de ajuste propostas pelo governo devem pressionar a renda das famílias e resultar em uma contração econômica que irá enfraquecer a qualidade de ativos e lucratividade dos bancos.

Além disso, a S&P informou que revisou a avaliação de resiliência econômica do País para "grau de risco muito alto", de "grau de risco alto", refletindo a opinião de que as perspectivas de crescimento econômico continuam a enfraquecer, enquanto o déficit fiscal deve permanecer elevado.

Já as ações da Petrobras encerraram o pregão desta segunda-feira sem direção única, com as ON em queda de 0,23% e as PN com ganho de 0,61%, depois de passarem a manhã inteira em alta firme influenciadas pelo exercício de opções sobre ações. Vale lembrar que o conselho de administração da companhia se reunirá na próxima quarta-feira, depois de amanhã, para analisar as demonstrações contábeis do terceiro trimestre de 2014 e de 2014, revisadas pelos auditores independentes. A companhia informou que espera divulgar os balanços logo após a reunião.

Os papéis da Vale e das siderúrgicas passaram o dia sustentando ganhos, no embalo da perspectiva de melhora na demanda por insumos após novas medidas de estímulos na China, mas os papéis da mineradora desaceleraram os ganhos à tarde, para fechar em -0,39% os ON e +0,27% os PNA. Entre as siderúrgicas, CSN ON subiu 0,66% e Gerdau PN registrou valorização de 1,84%. Até Usiminas PNA, que teve seu rating rebaixado de BB+ para BB, com perspectiva estável, pela Fitch, terminou com ganho de 3,05%. Segundo a agência, o corte na nota da empresa reflete a expectativa de que a demanda por aço continue fraca no Brasil e também de que o lucro da empresa na exportação de aço seja limitado.

No exterior, com o objetivo de estimular o crédito e aquecer a economia, o Banco do Povo da China (PBoC) decidiu promover um corte de um ponto porcentual no depósito compulsório das instituições financeiras comerciais. Esta foi a segunda redução neste ano e, agora, os bancos devem manter 18,5% de seus depósitos na reserva do banco central, frente 19,5% anteriormente. Estima-se que o esforço deve liberar até US$ 200 bilhões para crédito bancário.

A medida renovou o apetite ao risco nas bolsas europeias e também em Wall Street, em uma segunda-feira de agenda fraca. O Dow Jones terminou o dia em alta de 1,17%, aos 18.0,34,93 pontos, o S&P teve valorização de 0,92%, aos 2.100,40 pontos, e o Nasdaq avançou 1,27%, aos 4.994,60 pontos.

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