Fed poderia prejudicar o ouro, diz prognosticador

Fed poderia prejudicar o ouro, diz prognosticador

13 março 2015, 17:40
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Esqueça Mario Draghi e as titias chinesas. O único que importa para o ouro é a Federal Reserve, e isso significa problemas para os preços, segundo o prognosticador mais preciso do lingote nos últimos dois anos.

Como o Fed está indicando que elevará as taxas de juros nos EUA pela primeira vez desde 2006, já que a maior economia do mundo está se recuperando, o lingote registrará seu terceiro declínio anual consecutivo, disse Artur Passos, que calcula a projeção para o metal no Itaú Unibanco Holding SA, o maior banco da América Latina por valor de mercado. Passos, membro de um grupo liderado pelo ex-banqueiro central Ilan Goldfajn, fez as previsões mais precisas entre 20 prognosticadores, mostram dados compilados pela Bloomberg Rankings.

O progresso da economia americana está corroendo o atrativo do ouro como refúgio e levando os investidores para ativos com melhores perspectivas de yields, como bonds e ações. Depois de um rali de até 10 por cento em janeiro, os preços despencaram e ficaram negativos para o ano quando um relatório publicado na semana passada mostrou que os empregadores contrataram mais do que o previsto em fevereiro, o mais recente indício de que a expansão econômica está ganhando impulso.

“O ambiente geral para o ouro é baixista”, disse Passos, que é economista. Ele espera que os preços caiam mais 4,6 por cento neste ano, para US$ 1.100 por onça, o menor valor desde 2010. “O aumento das taxas é iminente, e esse é o fator mais importante observado pelo mercado do ouro”, disse ele, em entrevista por telefone, de São Paulo.

Desvanecimento do otimismo

Os futuros caíram 2,6 por cento neste ano, para US$ 1.153,70 no Comex em Nova York, e o Bloomberg Commodity Index com 22 matérias-primas recuou 4,5 por cento. O Bloomberg Dollar Spot Index cresceu 6,9 por cento e caminha para seu maior ganho trimestral desde 2008. O índice acionário Standard Poor’s 500 perdeu 0,1 por cento depois de uma alta recorde em 25 de fevereiro.

O ano começou altista para o ouro, com um rali de 8 por cento em janeiro, o maior para qualquer mês desde 2012. O ouro foi energizado pela renovada preocupação com a inflação depois que Draghi, o presidente do Banco Central Europeu, prometeu medidas de estímulo monetário para revigorar a recuperação anêmica da zona do euro após dois anos de recessão.

O atrativo do lingote aumentou diante dos sinais de que consumidores na China e na Índia, as duas maiores compradoras mundiais, estavam aproveitando a depressão de 29 por cento nos preços, ocorrida nos dois anos anteriores, para comprar ouro. Mulheres chinesas de meia-idade – conhecidas na linguagem local como “titias” – costumam comprar moedas e joias para celebrar os feriados do ano-novo lunar que caem em janeiro ou fevereiro.

Efêmero

O atrativo para os investidores foi efêmero, porque a especulação em torno da atuação do Fed começou a esmagar os desenvolvimentos na Ásia e na Europa. Em 5 de março, quando Draghi anunciou o plano de aquisição de ativos de 60 bilhões de euros (US$ 63 bilhões) por mês, os futuros do ouro caíram, em parte porque os operadores estavam mais preocupados com o relatório sobre empregos nos EUA, cuja publicação estava agendada para o dia seguinte.

Em 6 de março, o governo disse que os empregadores incorporaram 295.000 trabalhadores e que a taxa de desemprego atingiu seu menor valor em quase sete anos. O ouro despencou para seu menor valor desde 1 de dezembro.

Embora a tendência aponte principalmente para a queda, poderia haver um “apoio temporário” em épocas de dificuldades financeiras, disse Passos, do Itaú.

Hedge funds reduziram sua posição altista nos futuros e opções do ouro durante cinco semanas consecutivas, mostram dados do governo americano de 3 de março. Os ativos de produtos negociados em bolsa garantidos pelo lingote caíram 0,9 por cento na semana passada, o maior declínio desde novembro.

“O mercado de trabalho está se saindo bem, e fica claro que ouviremos falar do aumento das taxas em junho ou em setembro”, disse Passos. “Não importa o que os outros bancos centrais fizerem, pois o Fed governa o mercado de ouro”.

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