Divergência de rumos entre BCE e Fed aproxima euro da paridade com dólar

Divergência de rumos entre BCE e Fed aproxima euro da paridade com dólar

12 março 2015, 14:45
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Na zona euro, o banco central pôs as máquinas de imprimir dinheiro a funcionar a alta velocidade. Nos EUA, a Reserva Federal prepara-se para tornar o dinheiro mais caro. O resultado é um euro a valer pouco mais de 1,05 dólares

Os impactos da política de compra de 60 mil milhões de euros de activos por mês iniciada pelo BCE na segunda-feira continuam a fazer-se sentir de forma clara na zona euro. Os títulos de dívida pública da generalidade dos países continuam a ver as suas taxas a caírem e o euro continua a depreciar-se atingindo o valor mais baixo dos últimos 12 anos face ao dólar.

Nesta quarta-feira, os mercados obrigacionistas acentuaram a tendência das últimas semanas de queda das taxas de juro da dívida pública europeia. Os bancos centrais do Eurosistema, no cumprimento da estratégia delineada pelo Banco Central Europeu (BCE), têm estado desde segunda-feira a comprar quantidades significativas de dívida pública dos diversos Estados da zona euro. Este aumento acentuado da procura tem como efeito natural uma subida do valor desses títulos, a que corresponde uma descida das taxas de juro implícitas que se praticam nos mercados.

Na Alemanha, a taxas de juro da dívida a dez anos está já nos 0,21%. Com a dívida a cinco anos já em terreno negativo, começa a colocar-se a hipótese de, num cenário absolutamente inédito, a Alemanha passar a ser paga pelos investidores para obter dinheiro emprestado a um prazo de dez anos.

As taxas de juro que têm vindo a cair mais são as dos países periféricos. Nesta quarta-feira desceram na primeira metade da sessão a um ritmo elevado, para depois recuperarem parcialmente. Em Portugal, a taxa de juro da dívida a dez anos está nos 1,620%, um pouco acima dos 1,157% de Espanha e dos 1,135% de Itália.

A dívida portuguesa está a ser, como a dívida dos outros países da zona euro excepto a Grécia, alvo de aquisições por parte do Eurosistema, neste caso por intermédio do Banco de Portugal.

Mas para além da descida dos juros da dívida pública, o maior impacto do programa de compra de activos do BCE está a sentir-se na cotação do euro nos mercados internacionais. A divisa europeia caiu mais 1% face à sua congénere norte-americana durante esta quarta-feira, valendo agora pouco mais do que 1,05 dólares. Este valor já é 12% mais baixo do que o registado no início do ano, depois de uma queda de 15% no decorrer de 2014.

E por isso, o impensável há poucos meses começa agora a ser uma previsão bastante generalizada de vários bancos de investimento: o euro pode chegar à paridade com o dólar (um euro a valer um dólar) até ao final deste ano. No final de 2014, quando o Financial Times perguntou a 32 economistas europeus se a paridade seria possível no decorrer do presente ano, 31 responderam que não. Nas últimas semanas, são vários os bancos a reverem a sua previsão.

Isso acontece, não só pela dimensão da queda do euro face ao dólar registada nos primeiros meses de 2015, mas também porque as condições para uma continuada depreciação da divisa europeia se mantém.

Em particular, o que está a fazer descer o euro e a fazer subir o dólar são os rumos opostos que estão a seguir as políticas monetárias nas duas maiores economias do planeta. Na zona euro, o BCE está agora a imprimir dinheiro a grande velocidade, injectando por mês mais 60 mil milhões de euros nos mercados. Nos EUA, depois de se ter dado por concluído o programa de compra de activos, espera-se a todo o momento que a Reserva Federal sinalize o início de uma subida das taxas de juro, que desde 2008 estão coladas a zero.

Nesta quarta-feira, numa entrevista ao Financial Times, o presidente da Reserva Federal de St Louis, James Bullard, assumiu que uma subida de taxas está no horizonte e disse que, embora haja o reconhecimento dos impactos sofridos pelas empresas exportadoras norte-americanas com uma apreciação tão forte do dólar (não só face ao euro) a Fed “irá deixar a taxa de câmbio ir até onde precisa de ir para equilibrar os mercados internacionais”. 

 


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