Microsoft cresce mais aqui do que no mundo

Microsoft cresce mais aqui do que no mundo

8 setembro 2014, 14:12
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Enquanto boa parte das empresas tem sofrido com a retração na economia no Brasil, a Microsoft tem motivos para comemorar. A subsidiária da dona do Windows foi a que apresentou maior crescimento de receita entre os países emergentes no ano fiscal 2014, encerrado em junho.

A companhia não abre os números específicos por país, mas segundo Mariano de Beer, há um ano no comando da Microsoft no Brasil, o desempenho foi superior ao crescimento de 11,69% apresentado pela companhia como um todo, que levou a receita global a US$ 86,73 bilhões.

"E foi um crescimento em dólares, não em reais, e em um cenário de câmbio mais desvalorizado".

A estimativa de especialistas é que a Microsoft tenha uma receita da ordem de US$ 2 bilhões (R$ 4,5 bilhões) no Brasil. Este valor também considera a operação de celulares e tablets da Nokia, comprada pela Microsoft em setembro do ano passado.


De acordo com o executivo, três áreas puxaram as vendas: serviços para pequenas e médias empresas pela internet - no modelo de computação em nuvem; consoles de videogame Xbox; e telefones com sistema operacional Windows Phone. Também fez diferença nos resultados o fato da companhia ter decidido expandir sua presença geográfica, buscando clientes principalmente no interior de São Paulo e no Nordeste.

Beer também está animado com o setor educacional, que também mostra expansão nas vendas da Microsoft. Entre as conquistas neste segmento, está a Anhanguera Educacional. Depois da fusão com a Kroton, anunciada em abril, a Anhanguera trocou o Apps, pacote de programas de planilha, edição de texto e apresentações do Google, pelo Office, da Microsoft.

No atendimento às empresas, Mariano disse que a Microsoft tem se beneficiado de um fenômeno típico do mercado de tecnologia: a necessidade de manter investimentos mesmo em momentos de incertezas econômicas. A ideia é que a adoção de novos sistemas ajudem as companhias a ficarem mais competitivas. E isso é importante tanto em momentos de bonança quanto de crise.

Beer observa que pequenas e médias empresas estão adotando o modelo de compra de tecnologia em nuvem. Nele, não há necessidade de grandes investimentos em equipamentos e softwares e o pagamento é feito conforme o serviço é usado. "Isso resolve um baita problema para eles, que é manter uma estrutura de tecnologia", disse. No ano fiscal encerrado em junho, as vendas de serviços em nuvem para companhias de menor porte mais que dobraram. A inauguração de um centro de dados da Microsoft no 1º semestre, no Estado de São Paulo, foi um dos fatores que estimularam essa expansão.

Avançar nas áreas de nuvem e dispositivos é essencial para a Microsoft. Com uma história construída sobre a venda de licenças do Office e do Windows, a companhia tem investido para ganhar relevância em áreas que têm apresentado maior crescimento que o mundo dos PCs. A passos mais lentos que o esperado por especialistas, a companhia tem avançado em algumas áreas. No ano fiscal 2014, a receita com nuvem, por exemplo, dobrou, chegando a US$ 4,4 bilhões, ou 5% das vendas globais da companhia. A venda de celulares respondeu por outros 2,3%.

Guiar a companhia nesse novo momento é tarefa do indiano Satya Nadella, que assumiu o cargo de executivo-chefe em fevereiro, substituindo o cofundador da companhia Steve Ballmer. Desde que chegou ao posto, Nadella tem trabalhado para acelerar o ritmo de mudança na companhia.

Sua primeira decisão foi anunciar o lançamento do aplicativo do Office para o iPad e para dispositivos com sistema operacional Android. A demanda era uma das mais frequentes do mercado, mas a Microsoft mantinha-se firme na posição de que a oferta do Office era um diferencial para tablets com sistema Windows, cujas vendas até hoje não decolaram.

Outras medidas tiveram como foco simplificar a companhia. Nadella cortou pela metade o número de áreas de engenharia na companhia, concentrando-se em dispositivos, sistemas operacionais, nuvem e produtividade. O CEO mundial também anunciou 18 mil demissões até 2015.

Perguntado sobre demissões, Beer diz que no Brasil a operação segue normalmente. Para ele, Nadella tem todas a condições de liderar a companhia em sua transformação por ser um executivo que gosta de ouvir, e não se apresenta como o dono da verdade. Beer jantou com o CEO, recentemente, como prêmio pelo desempenho no Brasil. "A Microsoft mudou, está mais aberta e o Brasil é uma das operações que estão liderando essa nova fase", disse.

Para continuar crescendo no país, Beer destacou como principal problema não o cenário econômico nebuloso para a economia, como o previsto para 2015. Em sua avaliação, o grande problema é a capacidade de apresentar, no ponto de venda, os produtos da companhia. É essa não é só uma questão de treinamento, mas também educacional. "Mais de 70% dos alunos saem do ensino médio sem capacidade de entender completamente um texto", disse.

Para melhorar o atendimento ao consumidor final, a companhia, que emprega 3 mil pessoas no país, tem investido em novas formas de treinamento de vendedores, como o compartilhamento de vídeos pelo WhatsApp e grupos para troca de informações em redes sociais. "Temos que ser muito bons em execução", disse Beer.


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