Resumo da ópera do Conarobô 2014: teste, mude rápido e sobreviva, se puder

Resumo da ópera do Conarobô 2014: teste, mude rápido e sobreviva, se puder

7 dezembro 2014, 13:34
Rogerio Figurelli
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Resumo da ópera do Conarobô 2014: teste, mude rápido e sobreviva, se puder

Depois de minha palestra no Conarobô 2014, na quinta-feira passada, recebi diversos e-mails, sendo que alguns em especial me chamaram a atenção.

Destacaria principalmente a surpresa de alguns para a lógica apresentada de que existe uma complexidade infinita no mercado e no problema de decisão de trade.

E a principal consequência dessa complexidade infinita é que não existe, nem nunca existirá, algum modelo que na prática possa ser traduzido em um trading system capaz de resolver o problema permanentemente e em todas suas possibilidades.

Isso me fez refletir, e cheguei a conclusão que é realmente deprimente essa informação, já que ela coloca diante do trader, mesmo o sistêmico, uma incerteza sem limites sobre a possibilidade de realmente obter resultados a partir de seu robô.

Mas por outro lado talvez esteja ai a beleza e grande oportunidade do mercado de capitais, e é melhor que seja assim. Afinal, é melhor que todos nós estejamos preparados para enfrentar um problema altamente complexo, que é o de encontrar formas de sobreviver à complexidade infinita.

E como sobreviver a esse problema de complexidade infinita?

Se você assistiu a várias palestras, como eu, encontrou várias formas de sobrevivência.

Então vou apresentar apenas o resumo da ópera.

Em primeiro lugar, aceite que não existe uma solução determinística, ou seja, um robô com uma estratégia continuamente infalível. Se ela existisse, o mercado não existiria.

E isso vale para qualquer frequência de operação. Ou seja, não existe solução determinística nem em baixa frequência, nem em média frequência, nem em alta frequência.

Na verdade, acredito que as soluções de alta frequência nasceram inicialmente para formar o mercado em um momento crítico, que foi a depressão americana de 2008. Elas foram tão importantes quanto o surgimento das compras coletivas para alavancar o comércio eletrônico. Mas a alta frequência, por si só, não é garantia de nada em termos de resultados, principalmente para baixos volumes de operação.

Mas a realidade é que temos uma indústria de HFT que movimenta empresas e universidades, e portanto você deve ter cuidado para ver se realmente vale a pena aumentar a frequência ou diminuir a latência de seus trades.

Esse é um paradoxo, eu sei, mas fácil de provar. Quanto maior a frequência, mais rápida a perda. E quanto mais baixa a frequência, mais o trader perde as oportunidades de aumentar o ganho. E, dessa forma, no final, os dois caminhos se igualam.

A prova disso está nos campeonatos, onde muitas vezes uma estratégia mais precisa de baixa frequência supera a taxa de erros alta de uma estratégia de alta frequência.

Se você ainda duvida disso, tome como exemplo os vários sinais da Trajecta, tanto em conta demonstração como conta real (disponíveis no link www.mql5.com/en/signals/author/figurelli?orderby=quality) e que tiveram retorno muito acima do mercado no passado (portanto, não estamos falando aqui de alguma promessa futura, que é algo que não acredito que possa acontecer em renda variável, nem deva ser feito). Note pelo histórico desses sinais que eles operam todos em uma média de um (1) trade por hora. Isso mesmo, tão lentos quanto um (1) trade por hora, e com um potencial de retorno que atende os melhores padrões alpha do mercado de robôs.

É exatamente a mesma lógica de retorno dos campeonatos que comentei acima, sendo que várias vezes vivenciei isso nessas competições. No campeonato ATC de 2009, por exemplo, em que meu robô terminou na colocação 54 com 37% de ganho em 3 meses, os indicadores estavam todos ajustados em periodicidade H4 ou D1. E ainda existia uma lógica de price action em W1, a longo prazo portanto, justamente porque o campeonato durava 3 meses e não era permitido mudar o setup do robô.

Dito isso, e voltando à questão dos modelos, já que estamos em um resumo da ópera, como também comento em minha palestra, quanto maior o volume envolvido, mais complexo é o problema de encontrar um robô competitivo.

Para esse cenário, não existe uma solução, mas modelos tentando ser a solução.

E é nesse ponto que está a oportunidade de sobreviver. Nos modelos, e, principalmente, nos testes deles.

Se temos muitos modelos, fornecidos pelos mais variados fornecedores e soluções, talvez algumas delas criadas por você mesmo, então você pode estabelecer uma rotina de testes desses modelos.

Na verdade esse não deixa de ser um outro modelo mais abstrato, que consiste da construção de laboratórios de testes de robôs, como proponho em meu método de operação com trading systems.

A tentativa e erro, que consiste em testar vários tipos de robôs e soluções, representa exatamente a abordagem de testar vários modelos.

Acho fantástico que a tecnologia tenha construído para si própria uma solução tão expressiva quanto a extrema competência de realizar testes, acima de qualquer ser humano. Ela é soberana nesse terreno, e é ai que devemos nos concentrar, quando falamos de modelos quantitativos e robôs investidores. Pelo menos essa é a minha opinião.

Ou seja, sendo muito pragmático, se seu robô não gera resultados, troque de setup o mais rápido que conseguir. Se trocar de setup não for suficiente, troque de estratégia. Se trocar de estratégia não for suficiente, troque de robô. Se trocar de robô não for suficiente, troque de fornecedor.

Ou seja, agora sendo muito objetivo, a única coisa que você não pode pensar em fazer é ficar parado como o mesmo setup, estratégia, robô ou fornecedor que não gera resultado.

Erre e mude rápido, essa é a lei dos modelos quantitativos e robôs investidores. E mude tudo, se for preciso. Afinal o mercado está cheio de opções de modelos. E estará cada vez mais.

E a boa notícia, e conclusão, é que provavelmente nessa busca por bons modelos você encontrará o seu. Talvez tão bom que possa operar totalmente autônomo por um bom tempo. Talvez nem tanto, que exija mudanças constantes.

Até porque o Conarobô 2014 provou que as opções são muitas, e podemos ter certeza que irão aumentar muito mais.

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Por Rogério Figurelli em 06/12/2014.
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