No Complexo do Alemão, Lagarde defende ajuste fiscal para reduzir a pobreza

No Complexo do Alemão, Lagarde defende ajuste fiscal para reduzir a pobreza

22 maio 2015, 15:39
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No Complexo do Alemão, onde mais de 10.000 pessoas vivem na miséria, a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, assegurou que o ajuste fiscal implementado pelo governo brasileiro é vital para continuar reduzindo a pobreza.

Com um crescimento econômico estagnado - segundo o FMI, se contrairá em 1% este ano - e uma inflação elevada, o Brasil tenta colocar suas contas públicas em ordem, com um ajuste que leve a um ambicioso superávit fiscal de 1,2% do PIB.

Lagarde passou cerca de 10 minutos no teleférico do Complexo do Alemão, atravessando os Morros do Adeus e da Baiana. Na estação, conversou rapidamente com 10 mulheres microempreendedoras que vivem em diferentes favelas do Rio e que hoje integram a economia formal.

"A disciplina fiscal é a base necessária para financiar programas como esse. As pessoas que mais sofrem pela indisciplina fiscal são, em geral, os pobres", disse Lagarde. No Complexo do Alemão vivem mais de 60.000 moradores em meio a tiroteios periódicos entre traficantes e policiais.

Segundo o FMI, o Brasil enfrenta "uma conjuntura difícil" e crescerá apenas 1% no ano que vem, 2% a partir de 2017 e apenas 2,5% em 2020.

Por isso, recentemente recomendou ao país "fortalecer a credibilidade da política econômica e a confiança do mercado" e impulsionar investimentos e a competitividade para assentar as bases de um crescimento "forte, balanceado e sustentável".

A presidente Dilma deve anunciar nesta sexta-feira o tamanho do corte do orçamento de 2015.

Uma das pequenas empresárias que conversou com Lagarde foi Rosana Damasceno, de 47 anos, que há 18 anos é dona de um bar no Morro da Providência, no centro do Rio. Antes, seu comércio estava na informalidade, mas em 2009, com a ajuda do governo, se transformou em "microempreendedora individual", o que lhe permite ter acesso a créditos e a fornecedores com melhores preços.

A diretora-gerente do FMI também presenciou na estação do teleférico uma apresentação de capoeira e visitou muito rapidamente um centro de assistência social onde os moradores podem se inscrever no programa Bolsa Família.

"O Bolsa Família e os demais programas de luta contra a miséria têm dado resultados e são absolutamente excepcionais", disse Lagarde.

"O fato de o Brasil gastar 0,5% do seu PIB na luta contra a pobreza, com o Bolsa Família, é significativo", avaliou.

Mais de 40 milhões de pessoas saíram da pobreza na última década graças aos programas sociais do governo, segundo dados oficiais.

Lagarde se reuniu nesta quinta-feira à tarde com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e depois com a presidente Dilma Rousseff em Brasília.

"A presidente Dilma Rousseff e eu tivemos uma boa troca de pontos de vista sobre o estado atual da economia mundial e seu impacto regional, assim como a possibilidade de uma relação comercial mais estreita entre o Mercosul e a União Europeia e os benefícios econômicos que surgiriam disso", comentou Lagarde, citada pela presidência.

Na sexta-feira, Lagarde participará em um seminário do Banco Central no Rio de Janeiro e dará uma coletiva de imprensa.

Lagarde insistiu em visitar o Alemão apesar da violência, mais o passeio foi bastante rápido e ela não chegou a caminhar pelas ruas. Na véspera houve um tiroteio no local, interrompendo o funcionamento do teleférico.

"A violência continua igual. Há muita gente inocente morrendo com as balas perdidas e os enfrentamentos armados, apesar da pacificação do Alemão desde 2011", disse à AFP Madalena Alves de Assis, uma mãe solteira e desempregada de 30 anos, que fazia fila no centro social visitado por Lagarde. Madalena, que tem três filhos, sobrevive graças ao dinheiro do Bolsa Família.

De acordo com dados do governo, um total de 2.840 famílias vivem na extrema pobreza no Complexo do Alemão, com renda de até 77 reais por pessoa, e 3.707 famílias são beneficiárias do programa Bolsa Família.

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