Zona do euro deve crescer menos

Zona do euro deve crescer menos

3 abril 2015, 20:57
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A ata da última reunião de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), publicada na manhã de quinta-feira, sugere que as últimas projeções de crescimento da instituição não vão necessariamente se cumprir. "Foi declarado que a perspectiva de crescimento para 2017 depende de uma série de fatores que podem se tornar menos favoráveis para o crescimento" no final do período projetado, disse o BCE, no documento, referente à reunião dos dias 4 e 5 de março.

Em coletiva de imprensa que se seguiu ao encontro do mês passado, o BCE anunciou que sua equipe previa crescimento de 2,1% em 2017. Na reunião, porém, integrantes do conselho diretor disseram que não "estava claro até que ponto a política monetária continuaria sendo acomodatícia em 2017, uma vez que o programa de relaxamento quantitativo (QE, na sigla em inglês) do BCE, iniciado em março, deverá ser concluído em setembro de 2016".

Além disso, a ampliação do crescimento no período depende de "suposições de que os preços do petróleo continuarão baixos e de que haverá mais fortalecimento do comércio exterior", segundo a ata. "Neste sentido, foi colocado o argumento de que os preços do petróleo poderão estar mais fortes do que se prevê atualmente se a demanda global melhorar consideravelmente. Além disso, o crescimento poderá também ser obstruído por gargalos estruturais em alguns países."

Ainda assim, os dirigentes do BCE disseram que os dados mais recentes justificam "um otimismo prudente" em relação ao cenário de recuperação econômica gradual e de retorno da taxa de inflação para níveis mais próximos de 2%.

A autoridade monetária tem meta de inflação ligeiramente abaixo de 2%. O último indicador de inflação mostrou que o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) da zona do euro caiu 0,1% em março ante igual mês do ano passado, após recuar em ritmo anual mais forte em fevereiro, de 0,3%.


Necessidade - A ata também afirma que a perspectiva de crescimento para 2015 não significa que as últimas medidas de política do BCE eram "menos necessárias". As projeções, diz o BCE, "confirmam que a plena implementação dessas medidas é necessária para cumprir o mandato do conselho diretor".

Além disso, o documento afirma que há uma visão "amplamente compartilhada" na autoridade monetária de que o pacote de medidas aplicadas pela instituição desde junho do ano passado é "totalmente adequado". Por esse motivo, "não havia necessidade de tomar quaisquer iniciativas novas" na reunião de março. "O foco agora é a implementação determinada de todas as política monetárias que foram adotadas nos últimos meses." Na ata, o BCE sugere ainda que o atual nível da taxa de juros para depósitos (-0,20%) já está em seu limite mínimo. (AE)

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