VELOCIDADE DA VALORIZAÇÃO ASSUSTA MULTINACIONAIS NORTE-AMERICANAS

VELOCIDADE DA VALORIZAÇÃO ASSUSTA MULTINACIONAIS NORTE-AMERICANAS

25 março 2015, 17:00
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Dólar forte afeta lucro das empresas

Preferências pelas ações de companhias com receita mais concentrada nos EUA


A alta do dólar está corroendo os lucros das grandes multinacionais norte-americanas. O dólar subiu 10,5% em 2015 ante o euro e a alta é de 26,4% ante o mesmo período do ano passado. O Índice do dólar do WSJ (Wall Street Journal), que mede o dólar contra uma cesta de moedas, subiu 4,5% este ano.

A alta do dólar ante o euro tem sido motivada pelo programa agressivo de afrouxamento monetário implementado pelo Banco Central Europeu ao mesmo tempo em que o banco central norte-americano se prepara para elevar os juros.

Maior declínio anual

Analistas, citando o fortalecimento do dólar como fator principal, estão prevendo que os lucros das empresas do índice S&P 500 no primeiro trimestre mostrarão seu maior declínio anual desde o terceiro trimestre de 2009.

Em setembro, analistas esperavam que o lucro das empresas que compõem o índice de ações S&P 500 crescesse 9,5% no primeiro trimestre comparado ao ano anterior e 11,6% em todo o ano de 2015, segundo o FactSet. Hoje, esperam que o lucro do primeiro trimestre caia 4,9%. Para 2015, a expectativa é de que os lucros subam apenas 2,1%.

Velocidade

Como isso, segundo matéria do Wall Street Journal, os investidores estão mantendo uma propensão às ações de empresas norte-americanas que possuem menos negócios no exterior, mais focadas no mercado doméstico, e de companhias de fora dos Estados Unidos que se beneficiam do enfraquecimento das moedas de seus países de origem à media que o dólar se fortalece, especialmente fabricantes europeus.

“O que é notável é a velocidade com que o dólar subiu, e essa velocidade traz algumas complicações”, diz Anwiti Bahuguna, gestor sênior de portfólio da equipe de alocação de ativos globais da Columbia Management.

“O dólar está subindo a uma velocidade muito, muito mais rápida do que já se viu na história.” Vários investidores dizem que a alta do dólar está por trás do desempenho relativamente forte das ações de pequenas empresas, que são freqüentemente mais focadas no mercado interno que as ações de grandes companhias.

O Índice Russel 2000 de ações de pequenas empresas subiu cerca de 5% este ano e de 10% nos últimos seis meses. Na comparação, o Índice S&P 500 subiu em torno de 2,5% em 2015 e de 5% nos últimos seis meses.

O salto do dólar acontece quando o BCE inicia uma nova e agressiva política de afrouxamento monetário. Investidores esperam que o Fed responda à melhora da economia americana com um aumento dos juros ainda este ano, embora muitos analistas, depois do comunicado de política monetária do Fed divulgado na semana passada, esperarem aumentos pequenos e graduais.

Empresas

As complicações do fortalecimento do dólar têm sido visíveis na divulgação de resultados das empresas. Na sexta-feira, a Tiffany informou que as vendas caíram 1% no trimestre fiscal encerrado em janeiro, mas teriam crescido 3% se não fossem as mudanças cambiais. Ela espera “um crescimento mínimo” nos lucros este ano, em parte devido ao dólar valorizado.

A Oracle informou na terça-feira que a receita líquida teria crescido 7% no trimestre encerrado em fevereiro se não fosse o fortalecimento da moeda americana. Em vez disso, a receita caiu 3%.

“Esse é o impacto cambial mais significativo que já tivemos num ano fiscal”, disse Jon Moeller, diretor financeiro da Procter & Gamble, a investidores em janeiro. A fabricante de produtos para o setor de consumo espera que os efeitos cambiais reduzam os lucros depois dos impostos em US$ 1,4 bilhão, ou 12%, no ano fiscal corrente, que termina em junho.

Surpresa

Líderes empresariais foram pegos de surpresa pela rapidez com que o dólar se valorizou, diz Brian Lazorishak, gerente de portfólio do Chase Growth Fund. “Se você tem uma elevação gradual, é mais fácil para a direção se adaptar e se preparar e para fazer um hedge se eles quiserem.”

Lazorishak reduziu sua posição em ações da Microsoft, já que metade da receita da empresa vem de fora dos EUA. Ele comprou ações da Southwest Airlines, que gera menos de 2% de suas vendas no exterior, e outras empresas que são mais concentradas nos EUA.

Kark Schamotta, diretor de pesquisa cambial da Cambridge Global Payments, empresa de Toronto que ajuda empresas a empregar estratégias no mercado cambial para proteger as receitas internacionais de oscilações no câmbio, está dizendo a seus clientes para que se preparem para a paridade com a moeda européia, ou seja, um euro de US$ 1. “Muitas grandes firmas estão agora tentando recuperar as perdas relacionadas ao câmbio”, diz ele.

O Goldman Sachs prevê que o euro caia outros 12% ante o dólar nos próximos 12 meses. “Será um enorme obstáculo para as empresas que vendem internacionalmente”, diz David Kostin, estrategista chefe de ações norte-americanas do Goldman Sachs.

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