Trabalhar muitas horas pode ser prejudicial à sua produtividade; entenda por quê

Trabalhar muitas horas pode ser prejudicial à sua produtividade; entenda por quê

29 dezembro 2014, 15:52
Alejandromarcos
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Quantas horas você trabalha? Mais de dez horas por dia? Estudos realizados pela Comissão Britânica para a Saúde dos Trabalhadores da Indústria de Munições (HMWC) durante a 1ª Guerra Mundial já apontavam um decréscimo na produção diretamente relacionado a jornadas de mais de 50 horas de trabalho semanal. Parece muito, mas não é. Se você trabalha em média 9 horas por dia de segunda a sábado (realidade de muitos brasileiros), você já está dentro dessa métrica.

O comportamento workaholic (profissionais que trabalham compulsivamente) é, para muitos pesquisadores, uma característica marcante dos dois últimos séculos. Desde a primeira abordagem ao termo, feita pelo psicólogo norte-americano Wayne Oates, em 1968, o “culto ao trabalho” torna-se cada vez mais comum, estando diretamente ligado aos avanços tecnológicos que permitem que as pessoas fiquem sempre conectadas, por meio de mensagens instantâneas, e-mails, celulares, etc.

A solução é buscar formas de otimizar o tempo de trabalho. Não é necessário trabalhar 50 horas semanais ou mais para render e concluir metas, seja em produção intelectual ou industrial. O segredo é ter foco e traçar objetivos.

Trabalho X produtividade

Um novo estudo publicado em abril de 2014 por John Pencavel, da Universidade de Stanford, confirmou essa correlação entre a jornada de trabalho e a produtividade. Confira o gráfico a seguir, criado por meio da análise regressiva de Lencavel.

“O produto marginal de horas é constante até alcançar a marca de 50 horas; após isso, a produtividade cai constantemente.” (tradução livre do artigo Working hours – Proof that you should get a life, publicado no site The Economist, no dia 9/12/2014).

Ainda relacionada, a publicação Duração do Trabalho em todo o mundo – Tendências de jornadas de trabalho, legislação e políticas numa perspectiva global comparada, de autoria da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e publicado em 2009, aponta que desde os primórdios da industrialização, a ideia de horas despendidas fora do ambiente de trabalho era interpretada como “tempo perdido”, o que só ajudou a criar um laço de subordinação entre empregados e empregadores. Isso somado à necessidade e mentalidade corporativas da época, criou um ser humano robotizado, focado em reconhecimento por meio do trabalho e obcecado por segurança na carreira. O artista Charges Chaplin satirizou muito bem esse “novo modelo de homem” no filme Tempos Modernos, de 1936.

Aos poucos, as consequências negativas dessas longas jornadas foram percebidas e mudanças surgiram para garantir uma melhor qualidade de vida aos trabalhadores.

Para a OIT, a redução da carga horária seria uma medida importante contra o desemprego no mundo que, em 2018, deve atingir 215 milhões de pessoas segundo projeções (em termos comparativos, o número é superior à atual população brasileira). No primeiro semestre desse ano, o Congresso brasileiro voltou a discutir a redução da carga horária de 44 horas semanais (vigente no país desde 1988) para 40 horas. A pauta circula no Senado desde 2005. Centrais sindicais pressionam há anos a aprovação.

Mas a questão vai além de simples decretos ou leis. O ponto principal a se considerar é como tornar as horas trabalhadas mais produtivas. No Brasil, trabalha-se muito. No total, são 2.023 horas por ano, contra 1.790 nos Estados Unidos, 1.479 na França e 1.397 na Alemanha, de acordo com dados da OIT. Já quando a métrica é produtividade, os números não se traduzem em vantagem. De acordo com a consultoria norte-americana The Conference Board, a produtividade brasileira não só está abaixo dos três países acima citados, como ocupa a 81ª posição em ranking de 122 países, abaixo da registrada em países como Coreia do Sul, México, Colômbia, Iraque e Guatemala.

E o que tudo isso tem a ver com economia? Tudo! Repensar as horas trabalhadas, de modo a melhorar a produtividade no Brasil é uma urgência, uma vez que este é um dos principais gargalos de nossa economia. Aumentar a produtividade acarreta em ganho de competitividade, o que pode, inclusive, ser revertido para melhorar a qualidade de vida, quando bem administrado.

Para melhorar a produtividade

Existem diversas ferramentas que podem ajudar a controlar melhor o tempo gasto em cada atividade e a melhorar o seu rendimento diário. Uma delas é criar uma planilha com uma rotina diária, separando o dia em horas. Dedique uma atividade para cada hora e monte seu ciclo semanal. O grande truque desta estratégia não gastar mais do que 1h30 em cada atividade. Você pode voltar a fazer a primeira atividade depois, no mesmo dia em que começou ou no próximo, mas a questão é não ficar o dia inteiro em apenas uma tarefa.

Cada pessoa tem um ritmo e cada caso é um caso – você é a melhor pessoa para delimitar sua própria rotina. Sente falta de ter tempo para outras atividades no seu dia, como uma caminhada no parque ou uma academia? Experimente essa ferramenta e delimite um horário para encerrar suas atividades. Adapte até chegar a uma rotina confortável para você.

Lembre-se que o trabalho enobrece o homem, mas não lhe garante saúde e nem sempre se traduz por maior produtividade. Encontre o seu ponto de equilíbrio e o de sua empresa e seja mais produtivo! Que tal esse desafio para 2015?

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