As tácticas preferidas dos bancos de investimento

As tácticas preferidas dos bancos de investimento

22 dezembro 2015, 14:01
Anderson de Carvalho Manilha Braga
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A visão mais geral é que a divergência da política monetária nos EUA e na zona euro favoreça o dólar e as bolsas europeias.

As estratégias recomendadas pelos bancos de investimento para o próximo ano não divergem muito da tática que em 2014 sugeriram para 2015. Se no final do ano passado, a recomendação era de adaptar a carteira de investimento às expectativas de divergência nas políticas monetárias da Fed e do BCE, para 2016 é a de tentar tirar partido da efetivação dessas diferenças depois de os EUA terem feito a primeira subida de taxas de juro em quase uma década.

Nas bolsas, as ações europeias reúnem um consenso mais positivo que as dos EUA. O Goldman Sachs analisou 12 ciclos passados de subida de juros na maior economia do mundo. E chegou à conclusão que apenas em dois desses ciclos, as ações europeias não bateram as norte-americanas. Também os analistas do Credit Suisse defendem que “dada a nossa perspectiva de que a Fed irá apertar as condições monetárias, que o euro desça até à paridade, esperamos que uma recuperação dos lucros das empresas europeias permita às ações da Europa ter melhor desempenho que as dos EUA”. Já a BlackRock considera que após as subidas dos juros na maior economia do mundo os investimentos a favorecer são “as ações, particularmente as europeias e japonesas, em detrimento das obrigações”.

Para as bolsas do Velho Continente, a estratégia do Goldman Sachs passa por encontrar empresas com dividendos atrativos e sustentáveis e cotadas com exposição ao consumo interno. Entre as ações mais recomendadas estão a Total, a Man Group, a Britvic, a italiana Hera Spa e a Imperial Tobacco, por exemplo.

Não são apenas as bolsas europeias a aparentarem sair beneficiadas com as direções diferentes na atuação da Fed e do BCE. Os analistas doCredit Suisse aconselham a que se prefira ter exposição a obrigações soberanas e empresariais europeias em detrimento das norte-americanas.

No mercado cambial, as fichas aparentam estar todas colocadas no dólar norte-americano. Já para as matérias-primas as perspectivas são de que permaneça o excesso de oferta que teve um peso decisivo na descida expressiva no valor destas mercadorias. No caso do petróleo as expectativas são de que continue em valores baixos, apesar de entidades com o o Credit Suisse não descartarem uma recuperação na segunda metade do ano. Entre as matérias-primas, o Goldman Sachs também aparenta favorecer o ouro negro em vez de outras matérias-primas industriais como os metais. Isto porque espera que a política econômica na China tenha tendência para favorecer o consumo em vez do investimento.

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