Conheça os investimentos mais rentáveis do ano

Conheça os investimentos mais rentáveis do ano

14 dezembro 2015, 16:01
Dan Baruch
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Num ano marcado pela subida do dólar e pela queda das matérias-primas, as bolsas conseguiram retornos moderados.

O ano de 2015 trouxe ganhos moderados para os investidores em acções, principalmente se tiverem o euro como moeda de referência. O andamento dos mercados mundiais esteve dependente dos impactos da divergência da política monetária da Fed e do BCE e do tombo dos preços das matérias-primas, que foi essencial para fazer a diferença entre estratégias de investimento ganhadoras ou perdedoras

Quatro ações europeias que conseguiram duplicar de valor


O índice que agrupa as 600 cotadas mais representativas do Velho Continente consegue uma subida de 6% este ano, encaminhando-se para o quarto ano consecutivo de ganhos. Isto apesar de estar a negociar 12% abaixo do máximo do ano, atingido em Abril. Ainda assim, houve quatro cotadas que conseguiram duplicar de valor este ano. A biotecnológica dinamarquesa Genmab, que investiga novas terapêuticas para o cancro, é a que mais sobe. As ações valorizam 160% em 2015. Além desta empresa, também a espanhola Gamesa mais que duplicou de valor, com uma subida de 11%. A casa de apostas britânica Betfair e a fabricante de equipamento de energias renováveis dinamarquesa Vestas são as outras cotadas a ganhar mais de 100%. O reverso da medalha é o National Bank of Greece, com as acções a derrocarem 98,4%. Já a seguradora holandesa Delta Lloyd e as empresas mineiras Anglo American e Glencore perdem mais de 70%. Estas últimas foram penalizadas pela descida significativa dos preços das matérias-primas.

Em relação a geografias, as bolsas dinamarquesa e irlandesa foram as mais rentáveis, com subidas de 32% e 28%, respectivamente. Já a praça de Atenas foi a mais fustigada com uma descida superior a 30%. A bolsa espanhola é também das poucas na Europa que não consegue ganhos, com uma descida de 4,75%. Já Frankfurt e Paris ganham cerca de 8%, enquanto Londres está praticamente inalterada.

Bolsa dos EUA estagnada em dólares, com ganhos em euros

Um dos principais índices do mercado bolsista norte-americano, o S&P 500, está estagnado em relação ao valor de fecho do ano passado. No entanto, ajustando o retorno do índice para euros, as ações norte-americanas conseguem ganhos superiores a 10%, beneficiando da valorização do dólar. Ajustando os retornos para euros, há três acções que duplicaram de valor: a Netflix, a Amazon e a Activision Blizzard. Do lado oposto, cotadas ligados ao setor energético, como a Chesapeake Energy e a Southwern Energy perderam mais de 70%.

Japão em destaque pela positiva. Brasil desilude

O efeito dólar também se refletiu no índice da Bloomberg que mede o desempenho das bolsas mundiais. O Bloomberg World ganha 6,8%, mas para os investidores em dólares teve um retorno negativo de 3,3%. A pesar no desempenho das bolsas mundiais estiveram a estagnação das ações norte-americanas e as descidas de alguns mercados emergentes dependentes da evolução das matérias-primas. O Brasil é um desses exemplos, com a bolsa a tombar 30%, ajustando para euros, em 2015. Na Ásia também houve surpresas negativas, alimentadas pela incerteza na China. O índice de Hong Kong, por exemplo, cede quase 13%. Já as ações japonesas conseguem um dos melhores desempenhos do ano, com o Nikkei a ganhar, em euros, 19%.

Matérias-primas em queda livre

Uma das explicações para os desempenhos setoriais das bolsas, em que as cotadas ligadas à energia e aos recursos naturais estão, quase sempre, entre as que mais perdem em 2015 tem a ver com o mercado de matérias-primas. As principais mercadorias perderam valor durante o ano, com o excesso de oferta, as preocupações sobre a procura chinesa e outros fatores a afetarem as principais matérias-primas. O petróleo perdeu 30% do valor desde o início do ano (cerca de 22% ajustando a evolução para euros), com a OPEPa resistir a cortar a produção como estratégia para defender quota de mercado. Mercadorias industriais como o cobre também perderam quase 30%, enquanto o alumínio perdeu 20%. Os baixos preços das matérias-primas, principalmente do petróleo, têm provocado taxas de inflação baixas nas maiores economias do mundo, fator que poderá ter tirado algum do brilho a metais preciosos como o ouro e a prata, que têm descidas de cerca de 10% este ano.

O ano do dólar

É algo raro. As políticas monetárias de dois grandes blocos econômicos têm sentido divergente. Enquanto nos EUA, a Reserva Federal está em modo de preparação para a subida das taxas de juro, na zona euro o BCE anunciou este mês uma maior dose de estímulos monetários. Resultado, a nota verde consegue valorizar mais de 10% face à moeda única. O franco suíço ganha mais de 11% face ao euro, conseguidos à custa da decisão do banco central helvético de deixar de ligar a cotação da sua divisa à moeda única. Apesar da fraqueza do euro, algumas moedas de economias dependentes da exportação de matérias-primas tiveram ainda um comportamento ainda mais negativo. Foi o caso do dólar canadiano e da coroa norueguesa, por exemplo.

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