BCE já ponderou mais estímulos monetários na última reunião

BCE já ponderou mais estímulos monetários na última reunião

19 novembro 2015, 19:00
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A instituição monetária da Zona Euro já está a analisar mais estímulos à economia, mas houve quem defendesse a aplicação imediata dos mesmos na última reunião. Um corte na taxa de depósitos foi ponderado, mas seria "arriscar ainda mais em território desconhecido". 

Mario Draghi anunciou que seria estudada a possibilidade de o Banco Central Europeu alargar o uso das suas ferramentas monetárias. Uma declaração feita em conferência de imprensa, após a reunião de 22 de Outubro. Mas os relatos divulgados esta quinta-feira, 19 de Novembro, revelam que mais medidas para estimular a economia da Zona Euro foram logo ponderadas nesse encontro. Havia mesmo que defendesse que mais vale actuar cedo do que tarde.

"Foram expostos vários argumentos sobre se poderia já ser concluído que havia uma alteração material no cenário, que aconselhasse uma resposta monetária, ou se mais dados e análises seriam necessários", particularmente face às projecções da equipa do BCE em Dezembro, revelam os relatos da mais recente reunião. É que alguns "membros revelaram preocupação acerca da perspectiva de uma maior deterioração no cenário da inflação", alertando que "os riscos são claramente negativos".

Uma perspectiva que levou a que fosse exposta a possibilidade de "haver argumentos suficientes para considerar, já na actual reunião, um reforçar da posição acomodatícia da política monetária do BCE e, em qualquer caso, antes actuar cedo do que tarde". Esta revelação permite perceber que, a 22 de Outubro, parte do conselho do BCE estava já disposto a actuar. Até porque, explicaram, com "a lenta recuperação da Zona Euro", após a crise das dívidas soberanas, "o risco de deflação continua significativo".

"Ao mesmo tempo, houve membros que revelaram receios sobre adoptar uma interpretação demasiado sombria dos dados recentes e sobre chegar a conclusões prematuras acerca das implicações monetárias", avançam também os relatos. Uma vez que "os dados recentes têm sido mistos, com alguns sinais positivos", estes responsáveis concluíam que "o ambiente não se alterou significativamente desde a anterior reunião".

Neste sentido, o conselho do BCE concluiu que seria "preferível aguardar até Dezembro para reavaliar se houve uma mudança suficiente nos factores subjacentes ao cenário para a estabilidade dos preços no médio prazo". Não obstante da decisão de aguardar, o leque de medidas ao dispor da instituição liderada por Mario Draghi foi já discutido. Quanto ao alargar ou prolongar do programa de compra de activos, concluíram que já estava previsto, ao passo que incluir mais activos nas compras de activos exige um estudo mais aprofundado.

Já em relação à possibilidade de reduzir a taxa de depósitos, actualmente em -0,20%, "foi referida a experiência noutras jurisdições, onde as taxas negativas não pareceram resultar em grandes dificuldades ou numa substituição generalizada em dinheiro". "Contudo, foi também defendido que um corte na taxa seria arriscar ainda mais em território desconhecido e teria repercussões no funcionamento dos mercados e no comportamento dos bancos e clientes", pode ler-se nos relatos. Desta forma, concluíram, "mais trabalho técnico da equipa e do conselho foi visto como necessário, para analisar os custos e os benefícios".

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