Depois de falhar pagamento ao FMI, Grécia amortiza dívida a privados

Depois de falhar pagamento ao FMI, Grécia amortiza dívida a privados

14 julho 2015, 20:27
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Com os responsáveis políticos da zona euro ainda a discutirem como é que será garantido um empréstimo de transição, a Grécia vai gerindo os compromissos financeiros que tem pela frente, falhando no pagamento ao FMI mas evitando o default a investidores privados.

Na segunda-feira, o Fundo Monetário Internacional anunciou que a Grécia falhou o pagamento de 450 milhões de euros que estava previsto para esse dia, elevando para cerca de 2000 milhões de euros o montante total que Atenas tem em falta com a instituição liderada por Christine Lagarde.

Esta terça-feira, no entanto, surgiu a notícia que a Grécia pagou a investidores privados os 95 milhões de euros de dívida em ienes que tinha emitido há 20 anos e que atingiram agora o seu prazo para amortização. São as denominadas obrigações Samurai, em que a Grécia (e também outros Estados) tentam atrair investidores japoneses, emitindo títulos de dívida em iene.

Nos mercados havia dúvidas em relação à capacidade da Grécia conseguir amortizar a tempo estas obrigações. Nas últimas semanas os títulos foram trocados por montantes inferiores a metade do valor nominal, mas agora, de acordo com o banco japonês encarregue da organização da operação, a Grécia cumpriu com o pagamento.

O tesouro grego está a dar prioridade ao pagamento de dívida privada porque, ao contrário do que acontece com o default ao FMI, um atraso no pagamento poderia dar direito a todos os outros investidores privados a exigirem de imediato todo o seu dinheiro de volta. A Grécia, que ainda efectua emissões de dívida de curto prazo, poderia ficar ainda mais excluída do financiamento do mercado.

Fazer face a estes compromissos está a revelar-se contudo cada vez mais difícil. No acordo assinado na segunda-feira com os outros países da zona euro ficou estabelecido que estes iriam garantir um financiamento de transição à Grécia, enquanto o programa de 82 a 86 mil milhões de euros for totalmente negociado e o dinheiro começar a ser libertado, algo que ainda durará cerca de quatro semanas.

Os responsáveis da zona euro, contudo, não conseguiram ainda chegar a um entendimento sobre a forma como irá ser garantido esse empréstimo, nomeadamente qual o instrumento que será usado para um crédito a que não estarão associadas quaisquer condições.

Uma das hipóteses colocadas pela zona euro foi a de usar um fundo que é também financiado pelos restantes países da União Europeia, mas a ideia foi prontamente rejeitada pelo Reino Unido.

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