Relatório do FMI justifica 'não' em referendo, diz primeiro-ministro grego

Relatório do FMI justifica 'não' em referendo, diz primeiro-ministro grego

3 julho 2015, 17:23
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O primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, disse nesta sexta-feira (3) que uma análise do Fundo Monetário Internacional (FMI), que mostra que a dívida do país é insustentável, justifica a decisão do governo de rejeitar um pacote de ajuda de seus credores.

Em pronunciamento feito na televisão antes do referendo de domingo – quando os gregos deverão dizer se aceitam as condições do empréstimo – Tsipras renovou seu apelo aos gregos para votar pelo "não", rejeitando o que chamou de "chantagem" e "ultimato".

"Ontem um evento da maior importância política aconteceu", disse Tsipras. "O FMI publicou um relatório sobre a economia grega que é uma grande defesa do governo da Grécia ao confirmar o óbvio – que a dívida grega não é sustentável", afirmou. 

Relatório
No documento, o FMI aponta que a Grécia precisará de ao menos mais de € 50 bilhões em financiamentos até 2018 para conseguir fechar as suas contas. Segundo o fundo, mesmo que a Grécia aprove o plano dos credores que será submetido a referendo no próximo domingo, o país terá uma necessidade de uma nova ajuda nos próximos três anos. Do valot total, ao menos € 36 bilhões teriam de ser financiados com recursos europeus.

Hoje, a dívida grega supera € 300 bilhões.

O FMI considera a dívida da Grécia "insustentável" e avalia que a situação piorou desde a chegada ao governo do esquerdista Alexis Tsipras, citando o relaxamento das medidas de ajuste fiscal e o adiamento de reformas estruturais e privatizações.

"Se o programa (de 2012) tivesse sido implementado como se presumia, não teria sido necessário um maior alívio de dívida", assinalou a instituição financeira internacional.

A análise, além disso, reduz as previsões de crescimento econômico para a Grécia este ano de 2,5% para 0% e piora suas perspectivas sobre a dívida que antes tinha situado em uma tendência de baixa dos atuais 175% do Produto Interno Bruto (PIB) para 128% em 2020, e que agora está estimada em 150% para essa data.

A Grécia não pagou a parcela de € 1,6 bilhão de sua dívida com o FMI que venceu na terça-feira (30) e entrou em moratória (atraso). No mesmo dia também expirou o programa de ajuda financeira à Grécia.

Após a suspensão das negociações com os credores até depois do referendo, a Grécia se centra agora nos preparativos da consulta do próximo domingo.

O porta-voz do governo, Gavriil Sakellaridis, afirmou nesta quinta que uma vitória do "não" permitirá voltar à mesa de negociações para conseguir um acordo em melhores condições.

O ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, por sua vez, assegurou que se o "sim" vencer renunciará e não assinará o que qualificou como um "acordo hipócrita", que não aborda questões-chave como a sustentabilidade da dívida.

RESUMO DO CASO:
- A Grécia enfrenta uma forte crise econômica por ter gastado mais do que podia.
- Essa dívida foi financiada por empréstimos do FMI e do resto da Europa
- Na terça-feira (30), venceu uma parcela de € 1,6 bilhão da dívida com o FMI. O país depende de recursos da Europa para conseguir fazer o pagamento.
- Os europeus, no entanto, exigem que o país corte gastos e pensões para liberar mais dinheiro. O prazo para renovar essa ajuda também venceu nesta terça-feira
- No final de semana, o primeiro-ministro grego convocou um referendo para domingo (5 de julho). Os gregos serão consultados se concordam com as condições europeias para o empréstimo.
- Como a crise ficou mais grave, os bancos ficarão fechados nesta semana para evitar que os gregos saquem tudo o que têm e quebrem as instituições.
- A Grécia não pagou o FMI e entrou em "default" (situação de calote), o que pode resultar na saída do país da zona do euro.
- A saída não é automática e, se acontecer, pode demorar. Não existe um mecanismo de "expulsão" de um país da Zona do Euro.
- Com o calote, a Grécia pode ser suspensa do Eurogrupo e do conselho do BC europeu.
- A Europa pressiona para que a Grécia aceite as condições e fique na região. Isso porque uma saída pode prejudicar a confiança do mundo na região e na moeda única.
- Para a Grécia, a saída do euro significa retomar o controle sobre sua política monetária (que hoje é "terceirizada" para o BC europeu), o que pode ajudar nas exportações, entre outras coisas, mas também deve fechar o país para a entrada de capital estrangeiro e agravar a crise econômica.

  

 

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