Cepal defende diversificação da pauta de exportações para a China

Cepal defende diversificação da pauta de exportações para a China

26 maio 2015, 15:00
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A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) afirma em relatório divulgado nesta segunda-feira, 25, que a região precisa diversificar sua cesta de exportações para a China, que se concentra basicamente no setor primário. Para isso, é necessário avançar em produtividade, inovação, infraestrutura, logística e formação e capacitação de recursos humanos.

"Assim, na medida em que a cooperação com a China ajude a resolver nossas brechas de infraestrutura, logística e conectividade, estimularia também o comércio intrarregional e a gestão de cadeias regionais de valor", aponta o texto. A Cepal lembra que a China está modificando rapidamente o mapa da economia mundial, reforçando os vínculos entre os países emergentes e contribuindo para um ciclo inédito de crescimento, comércio, investimento e redução da pobreza. Entretanto, desde 2012 a economia chinesa vem desacelerando, o que implica queda nos preços das commodities.

O comércio de bens entre os dois blocos caiu 2% em 2014 ante 2013, para US$ 269 bilhões, com os países latino-americanos registrando a primeira queda nas exportações (-10%) para a China neste século. No ano passado, o Brasil representou 42,6% das exportações da América Latina e Caribe para o gigante asiático, com US$ 40,616 bilhões.

A entidade aponta ainda que, devido à alta participação das indústrias extrativas nas exportações latinas e caribenhas para a China, esse comércio gera relativamente menos empregos e um maior impacto ambiental. "Apesar de a região ter se beneficiado por diversas vias do dinamismo das exportações para a China, a composição da cesta exportadora segue constituindo um motivo de preocupação", aponta o relatório. "Nesse contexto, a diversificação exportadora é um desafio urgente".

Um dos caminhos para essa diversificação é a agroindústria. Mesmo assim, a alta concentração dos produtos vendidos para os chineses é um empecilho. Um único item, a soja, representou 77% do total em 2013.

Um dos motivos para o desempenho fraco esperado para a América Latina e o Caribe este ano é a queda nas exportações, principalmente em função do recuo nos preços, refletindo uma demanda menor da China e da União Europeia. De acordo com a Cepal, cada ponto porcentual de crescimento no PIB dos EUA significa uma expansão de 0,8 ponto nas importações mundiais, enquanto no caso da China a relação é de 1 ponto para 0,64 ponto e na UE essa comparação é de 1 para 1,95 ponto. "O dinamismo do comércio mundial nos próximos anos depende essencialmente da evolução da atividade econômica na UE", diz a Cepal.

A comissão estima que o PIB da China crescerá em torno de 7% este ano, após a expansão de 7,4% no ano passado, e o ritmo anual ficará entre 6% e 7% no restante da década. Já a região da América Latina e Caribe, que teve expansão de 1,1% no ano passado, deve crescer 1% este ano. No caso do Brasil, a previsão é de contração de 0,9% em 2015.

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