Rio e mais 40 cidades serão afetadas por ‘guerra da água’, calcula agência

Rio e mais 40 cidades serão afetadas por ‘guerra da água’, calcula agência

13 agosto 2014, 17:10
Lirana
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A decisão da Companhia Enérgica de São Paulo (Cesp) de reduzir a vazão do Rio Jaguari compromete o abastecimento de água de 41 municípios, 15 em São Paulo e 26 no Rio, incluindo a capital, segundo estudos da Agência Nacional de Águas (ANA). Já o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) alertou, em nota, para o “colapso no abastecimento de água” de todas as cidades ao longo do Rio Paraíba do Sul nos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Diante do risco de desabastecimento, autoridades federais estão pressionando o governo de São Paulo a reverter rapidamente o controle da vazão do Jaguari, afluente do Rio Paraíba do Sul. O diretor-presidente da ANA, Vicente Andreu, disse ao GLOBO que a previsão legal de priorizar o abastecimento humano (alegação da Cesp para reter a vazão do rio) tem de ser aplicada a um caso concreto, o que não ocorre no caso de Santa Izabel, única cidade paulista que usa a água do Rio Jaguari para consumo.

 

Em nota, a ANA afirmou não ter recebido “nenhuma justificativa dos órgãos gestores estaduais de São Paulo para alterar a operação do reservatório Jaguari”. Andreu informou que o ONS (que divide com a ANA a operação dos reservatórios) enviou ontem requerimento aos órgãos do governo paulista para que justifiquem a decisão de reduzir a vazão do Jaguari. Se em 15 dias a Cesp não fizer isso, pode receber multa de até 2% do faturamento.

Em nota, está informou que está apurando os fatos relacionados ao não cumprimento das determinações do ONS pela Cesp, destacando que cabe à ANA definir e fiscalizar as condições de operação dos reservatórios.

Segundo fontes do setor, a direção do ONS teme ainda que a decisão da Cesp abra um grave precedente: outras geradoras poderão não querer cumprir também as determinações do órgão quanto ao aumento ou redução da geração de energia.

Desde março, quando São Paulo propôs a interligação do rio Jaguari com o sistema Cantareira, que abastece a região metropolitana, governo federal e ANA resolveram mediar um grupo de discussões técnicas sobre o Paraíba do Sul entre os governos de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, Nesse debate, São Paulo indicara a possibilidade de construir dois novos reservatórios no Paraíba do Sul, para regularizar a oferta de água ao Rio, que aceitara fazer adequações no Guandu. O governo federal prevê a possibilidade de uma frente fria chegar à região do Vale do Paraíba ainda esta semana.

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