Escócia chega à semana do plebiscito sem desfecho claro no horizonte

Escócia chega à semana do plebiscito sem desfecho claro no horizonte

16 setembro 2014, 09:38
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LONDRES  -  Esta será a mais importante semana para a Escócia em 300 anos de união com os britânicos e, potencialmente, um ponto de inflexão para os mercados globais. Até sexta-feira, o mundo conhecerá se os escoceses optaram ou não pela independência, no plebiscito desta quinta-feira.

Com as mais recentes pesquisas de opinião ainda apontando incerteza sobre o resultado final do plebiscito, Albert Edwards, analista do Société Générale, avalia que a eventual vitória do “sim“ à independência resultaria em uma “crise à moda antiga”, que, no  limite, implicaria ameaça de desmonte da União Europeia.


Comparando a UE a um tubarão, cujo movimento adiante é necessário à própria sobrevivência, ou a uma bicicleta, cujo dinamismo é necessário ao equilíbrio, Edwards considera que “o voto pelo ‘sim’ faria com que a bicicleta – ou se preferirem, o tubarão  – ande para trás pela primeira vez desde o Tratado de Roma, de 1957, com consequência imprevisíveis” , referindo-se ao marco jurídico inicial constitutivo da Europa comunitária.

A agência de classificação de risco de crédito Moody´s recomenda aos investidores que mantenham a calma e que contem com planos de contingência – especialmente no que diz respeito a  bancos britânicos com considerável exposição à Escócia.

“Os bancos elaboraram planos de contingência  que consideramos extensivos”, escreveu a Moody´s, acrescentando que, em caso de necessidade, os bancos poderão ampliar de forma significativa sua liquidez, reduzir suas exigências de financiamento de curto prazo e ampliar seus colchões de recursos para fazer frente à possibilidade de aumento da demanda por saques.

“O Banco da Inglaterra afirmou que adotou medidas de contingência e reiterou sua capacidade e disposição de ser um emprestador  de último recurso para todos os bancos do Reino Unido em um futuro previsível,  tenham eles domicílio na Inglaterra ou na Escócia”, escreveu a Moody´s.

“Nossos membros escoceses estão todos a favor da manutenção da Escócia no Reino Unido”, diz Tom Allchorne, porta-voz da Associação Britânica de Fundos de Participação. “Nossa percepção é de que o ‘não’ vencerá”, acrescenta ele, justificando “não ter sido preciso perder tempo com preparações para algo que não acontecerá”.

Para Stephen Walters, economista-chefe do J.P.Morgan, as ramificações de eventual independência da Escócia nesta semana seriam grandes, não apenas para a Escócia mas também para o resto do Reino Unido. “Caso seja aprovada, a economia do Reino Unido ficaria deprimida por um certo número de trimestres e o processo de normalização da política monetária sofreria atrasos”, avalia o economista do J.P.Morgan, acrescentando que ativos britânicos, inclusive a libra, seriam depreciados.

“Se os escoceses votarem pela separação, outros separatistas europeus sairão fortalecidos, com consequências negativas para os títulos da Espanha [com a Catalunha a caminho de seu próprio plebiscito, em novembro, embora considerado ilegal pelo governo central] e para o euro, especialmente na periferia do continente”, diz o Erste Bank.

(Dow Jones Newswires)


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